Estou cá, isolada em minhas paranóias e vigilância noturna, lembrando do que tenho medo. Da hora em que não conseguirei mais segurar as palavras e elas correrão, batendo na boca do teu estômago. Cravo os dentes uns nos outros com força, pra não deixar escapar a língua. Porque quando escapar, vai percorrer teu corpo todo, tua pele e pêlos, sentidos, tudo, feito serpente enfeitiçada pelo teu cheiro que não habita mais minhas manhãs.
Cerro os ouvidos, agora temo teu riso tão entranhado em mim, pendurado em minha orelha, descendo pelo pescoço forte como tua voz grave, ah... escorre pelo corpo todo, lascivo.
Dos olhos eu nem falo mais, desses teus olhos fundo do mar que me afundam e me afogam, eu que desaprendi a nadar faz tempo, perco o ar.
Me encolho. Sou pequena, criança acuada com medo do escuro e que não sabe pra qual lado ficou a porta na hora de fugir, de pernas bambas... mas queria que me pegasse de calças curtas.
[Björk = The Dull Flame of Desire]
30.8.07
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