reativando a série "Grandes Momentos de Vergonha Absoluta", porque fez um ano do casamento da Raquel e do Rafael, e porque logo mais serei madrinha.
Fui a um casamento mês passado, de uma grande amiga da faculdade. Mas antes, minha mãe disse que eu precisava ir a um desses salões de beleza pra "dar um jeito". Embora eu não goste de certos costumes exageradamente femininos, e não me sinta à vontade em um lugar com alta concentração de mulheres, concordei com a idéia e parti rumo à aventura: era a minha primeira vez em uma manicure. Bom que era perto de casa.
Mal chego no recinto e a rasgação de seda começa. "Ai, mas que linda a sua filha", "Nossa, que sorriso", "Nossa, que branquinha, o cabelo vermelho", "Eu amo a sua mãe" e quetais. Respondi com um sorriso de 7 horas da manhã de um sábado nublado, porque era o horário marcado. E em jejum. Depois de um cafézinho, fui encaminhada à pedicure, ao que começam a derramar as primeiras pérolas do dia:
- Toma cuidado com ela, Sô.
- Aaaai Ro, pode deixar.
- Ela nunca fez, você vai tirar a virginidade do pé dela!
- Nhaai que isso, eu não vou estrupar seu pé não, viu Aninha?
"Aninha o c#", pensei enquanto retribuí com risadinhas de mocinha. Sem comentários sobre o dialeto delas, por ora. A "moça" colocou meus pés dentro de uma bacia de água fervente enquanto cutucava as unhas das minhas mãos com palitos e um alicate. Quanto ao processo de enfeitar as mãos e os pés, não senti estranheza, confesso que gostei pacas do resultado, meu pé estava deplorável. O que me causou espanto foi o desenrolar dos fatos durante meu dia de amiga da noiva. Mal a manicure começa a tirar as minhas cutículas e já chegam outras três mulheres berrando (nem eram 8 horas ainda) "Nooossssaaa, a filha da Izabeeel, que linda, ai mas que pele, mas que mas que... Sua mãe está bem? Ah, aqueles olhos, imagina você com os olhos da sua mãe, nossa, que olhos!".
Dei risada, mas linda? Olhos da mãe? Estavam forçando a barra comigo. Quem me conhece sabe que não sou dada a elogios precipitados e olhos claros. Só gosto dos olhos da minha mãe; mas nela, não em mim. Quanto a elogios, sempre precedem um pedido, fora ou chalaça. No entanto, me contive, pois minha mãe era realmente querida no lugar e eu não ia desapontá-la.
Teve a hora da vendedora dos colares, essa foi divertida: chegou uma louca lá gritando novidades, e semeando o alvoroço entre as donzelas porque haviam chegado novos colares para a lojinha do salão. A manicure até interrompeu o serviço, tacando gentilmente a minha mão na mesinha, e quase escorregou, afoita, pra ver os badulaques que a outra estendia na mão. Quando vi os colares, barbaridade! Pareciam umas cascas de árvore enfiadas numas linhas, com umas bolas de Natal pequeninas no meio, ou umas correntes; alguns tinham pingentes de coração de uns 10cm, de cor de gelatina. Quase as donzelas se estapeiam por causa do coração vermelho (só tinha um), me diverti pacas diante desta cena, ainda mais porque foi quando a minha mãe chegou pra me salvar. Ou não. Uma das moças me ofereceu um colar, estava quase colocando em mim, relutante, quando a minha mãe fala, serena:
- Iiiih, a Ana não gosta disso não, gente. Ela é quietona, meio nerd.
Só mamãe mesmo. Não precisava do "nerd", mas me salvou.
Às vezes acho que ela queria uma daquelas filhas patricinhas e vaidosas feito ela, que passam maquiagem, usam uns saltos enormes, são as mais gatas e populares de onde vão e têm aqueles acessos de frescurinha e TPM. Mas eu a desapontei, hehe. Eu, com cara de Daria, no meio da mulherada.
Quase uma hora depois de dicas de esmalte, culinária e sexo da manicure (essa parte vou pular), chegou a menina mais esbaforida que já vi na vida e, digo de antemão que ganhei o dia com ela. Ou não. Enfim, a garota estava "desesperadaaaa, loucaaa" porque ia ser madrinha de casamento mas ainda não tinha vestido porque tinha ido levar a noiva pro salão e elas eram amigas desde pequenas e ela era a responsável pela decoração da igreja mas não podia estar lá naquela hora pra aprovar o buffet porque tinha marcado hora no salão e só quem podia fazer isso além dela era o namorado mas eles estavam brigados há quinze dias e não se falavam e por culpa dele dele e só dele o culpado ela já tinha roído as unhas todas de raiva e precisava colocar unhas postiças mas aquela hora não dava porque estava atrás do vestido... Ufa! Tive certa pena da menina, lhe desejei sorte antes de sair. Daí que ela me brinda com a máxima:
- É, amiga, é uma zinca, mas que zinca viu. Que zinca!!!
Eu não me contive, ri o dia todo dessa e ainda rio quando lembro da naturalidade com que ela disse. E saiu batendo perna, rumo à sua saga. Quiáquiáquiá, "zinca"? Céus, eu precisava armar um esquema ninja pra dar um sumiço em algumas revistas de fofocas e colocar uns livros, quiçá um Aurélio, no lugar. Falar errado, vá lá, mas errar gírias?! Não e não! Quiá...
Terminada a sessão "unhas", fui pra sessão "cabelo", mas antes passei por outras manicures e ouvi uns pedaços de conversas. Em matéria de putaria, às vezes as mulheres devem assustar aos homens, que coisa. Fiquei embasbacada com alguns fragmentos de conversas, minha mãe estava ali, pô!
Não tive grandes problemas com a cabeleireira, ela acertou o corte do meu cabelo sem que eu precisasse explicar muito e usou uns produtos batutas. Nem parecia meu cabelo, de tão lindo que ficou. A parte ruim foi que ouvi uns "Nossa, que você fez no seu cabelo?", "Sua cara está lambida com esse corte", "E aí, Aninha, vamos acabar com a nerdice hoje?".
GGRRRR!!
Um "Pô, quando entrei aque eu era linda" bastou pra cessarem certas brincadeiras. Paciência tem limite, e eu ainda estava fragilizada pelas quedas capilares que sofri nos meses anteriores devido ao abuso de tinturas e experimentos de fundo de quintal. Humpf! Isso não vem ao caso. Mas ela tinha que arrematar, e comentou "Ê Ana, até os cabelinhos de baixo estão quebrados", referindo-se aos cabelos da minha nuca.
Ao que uma manicure-antenão, lá de longe, brada:
- Aee Izabel, tua filha chamuscou até os cabelos da perseguida, hahahaaaaa!
E o salão explodiu em risadas, eu e minha mãe vermelhas (mas ela rindo também). Em horas assim entendo as piadas machistas e o porquê de alguns caras terem medo de se envolver mais a fundo com mulheres, virarem gays, ou galinhões, etc. Mas só nessas horas, é um tanto revoltante ver mulher que age assim em grande parte do tempo e queimam o filme das exceções (eu), contaminando a sociedade com um estereótipo imbecil e falso, faz desmerecer mulher que sabe ser mulher, saca? Igual quando falam que bolsa de mulher é uma bagunça, desafio quem se atreve a falar assim a apontar um resquíscio de desordem dentro da minha bolsa!! Bah... Guardei meus pensamentos revolucionários pra outra hora, aqueles casos eram perdidos, embora tivessem me dado unhas e cabelos lindos e uma manhã divertida.
A noite chegou. Fui pro casamento, revi amigos, socorri uma senhora que ficou presa no banheiro (pauta pra outra história), me diverti muito.
E adivinha quem pegou o bouquet? Rá!
Até voltei no salão no outro dia, só pra contar pra elas.
Ao que uma manicure-antenão, lá de longe, brada:
- Aee Izabel, tua filha chamuscou até os cabelos da perseguida, hahahaaaaa!
E o salão explodiu em risadas, eu e minha mãe vermelhas (mas ela rindo também). Em horas assim entendo as piadas machistas e o porquê de alguns caras terem medo de se envolver mais a fundo com mulheres, virarem gays, ou galinhões, etc. Mas só nessas horas, é um tanto revoltante ver mulher que age assim em grande parte do tempo e queimam o filme das exceções (eu), contaminando a sociedade com um estereótipo imbecil e falso, faz desmerecer mulher que sabe ser mulher, saca? Igual quando falam que bolsa de mulher é uma bagunça, desafio quem se atreve a falar assim a apontar um resquíscio de desordem dentro da minha bolsa!! Bah... Guardei meus pensamentos revolucionários pra outra hora, aqueles casos eram perdidos, embora tivessem me dado unhas e cabelos lindos e uma manhã divertida.
A noite chegou. Fui pro casamento, revi amigos, socorri uma senhora que ficou presa no banheiro (pauta pra outra história), me diverti muito.
E adivinha quem pegou o bouquet? Rá!
Até voltei no salão no outro dia, só pra contar pra elas.
