Às vezes te gosto tanto...
Noutras queria te fazer sumir, virar areia, poeira, fumaça de cigarro que a gente sopra tudo pra fora e contempla enquanto dissipa. Mas com você não usei filtros, não fiz questão.
Agora você vira essa mancha suja no meu pulmão, cisto, neoplasia maligna que se alastra na velocidade das sinapses, não há quimioterapia que cure, a cura talvez seria o renascimento.
E por que você?
Por que eu?
Adianta querer responder?
Talvez um consolo para a burrice, se é que pode dizer "burrice" se deixar gostar de gente hoje em dia. "Estupidez" classificaria melhor a insistência em alguém que não sabe ser, diz ter medo de ser.
O pior cego é aquele que não quer ver. E o pior estúpido é o que insiste em sentir.
30.1.08
25.1.08
Diálogos
* no trabalho antigo *
- ...Daí que foi nessa hora que o cara lindo apareceu.
- Cara lindo?
- É.
- Ana, pára.
- O que...
- Já estou até vendo o tipo de lindo que era: óculos, cabelo chupado, boca sem cor, cara de nada... desses tipos que você gosta.
- Não, esse era lindo mesmo.
- Hahaha, sei.
- Desses que todo mundo acha lindo.
- Hum.
- E me chamou pra dançar.
- Jura? E o que você fez?
- Disse que não sabia dançar.
- Não creio!
- É... Mesmo assim ele quis me ensinar.
- E aí você foi.
- Fui. Pisei no pé dele um monte de vezes.
- Que gafe.
- Nada, ele nem ligou. Ainda disse que eu fazia uma cara bonitinha quando pedia desculpa.
- Hahaha, e depois?
- Trocamos telefones e combinamos de sair.
- É?!
- É.
- Ah, finalmente você deixou de ser molenga!
- Não sou molenga.
- Ah, é sim...
- Sou seletiva, é diferente.
- ... Vive atrás desses tontos, de boca sem cor. Finalmente vai catar um cara lindo de verdade agora.
- Ele é lindo mesmo... Mas eu não vou "catá-lo".
- Como não, já catou ontem.
- A gente apenas dançou, não quer dizer que...
- Mas quem chama pra dançar não quer só dança, quer algo mais!
- Acontece que ele é gay. A gente combinou de sair pra ver roupa, e tal.
- Ai Ana...
* num primeiro encontro *
- E esse anel?
- É meu.
- Bonito.
- Sim. E me salva de apuros quando vem um cara chato.
- Ah é?
- Sim, olha - e troca o anel de dedo.
- Parece aliança mesmo.
- É.
- Usa ele assim hoje. Daí vão pensar que a gente namora.
- Mas e se perguntarem da sua aliança?
- Ah... Diz que a gente brigou e voltou hoje.
- ...
- Hehe.
* hippie, gritando ao ver minha tatuagem*
- Eu sei quem tocou sua harpa!!!
- Hein?
- Eu sei quem tocou sua harpa!!!
- Quem?
- Foi Davi. Foi Davi que eu vi.
- Er...
- Foi Davi que tocou sua harpa.
- Mas é uma lira.
- Ah, depende do ponto de vista.
- Não depende não. Lira é menor, tem menos cordas.
- Ah...
... E saiu, sem graça.
* no metrô *
- Qual o nome do seu papagaio?
- Preto.
- Mas ele é verde, rs.
- Mas eu o chamo de Pretinho, Preto, ah...
- E o nome dele de verdade?
- Você não vai querer saber.
- Fala aí.
- Hehe, é ridículo demais.
- Fala.
- É uma longa história.
- Ahm.
- Quando meu pai trabalhava no Pará, um dia chegou em casa com um casal de papagaios. Eu tinha uns 8 anos, na época, logo, não tinha condições de dar nomes decentes pra animais.
- Hum...
- Aí, como era páscoa, meu pai teve a brilhante idéia: pro macho, deu o nome de Feliz; e pra fêmea, deu o nome de Páscoa.
- Hahaha, está zoando.
- Não estou. Aí, pra não constranger meu papagaio, a gente o chama de Preto mesmo, hehe.
- Hahaha. Mas é tudo junto?
- O que?
- O (barulho do metrô) nome?
- O meu é.
- Mas Feliz Páscoa junto?
- Hein?
- O nome dele é junto?
- Não, Dudu, era um casal e...
- Mas o seu nome é junto.
- Sim. O que tem a ver?
- Se seu nome fosse "Feliz Páscoa", também seria tudo junto?
- Hunf.
- Hahahahahahaha...
* Paranapiacaba *
- Ele mora perto da Gaviões.
- Nossa, perto da Gaviões?
- Perto da Gaviões, na rua do lado.
- Da Gaviões da Fiel?
- Não não. Da Academia Gaviões.
- Ah...
* Miguel *
- Ana.
- Oi.
- Você está destruindo a minha vida.
- Pelo contrário, estou ajudando, olha só como você ficou "pop" depois que começamos a fazer rolês.
- Não é q eu comecei a ficar mais pop, é igual poeira: tá sempre lá, mas se vc mexe, espalha tudo e faz a maior bagunça.
- Que comparação mais ingrata.
- Você é igual a um espanador entende? Não limpa nada, só espalha.
- Desgraçado.
- Hahahaha.
- Ingrato.
- Espanador foi uma comparação carinhosa.
- ...
[felas...]
- ...Daí que foi nessa hora que o cara lindo apareceu.
- Cara lindo?
- É.
- Ana, pára.
- O que...
- Já estou até vendo o tipo de lindo que era: óculos, cabelo chupado, boca sem cor, cara de nada... desses tipos que você gosta.
- Não, esse era lindo mesmo.
- Hahaha, sei.
- Desses que todo mundo acha lindo.
- Hum.
- E me chamou pra dançar.
- Jura? E o que você fez?
- Disse que não sabia dançar.
- Não creio!
- É... Mesmo assim ele quis me ensinar.
- E aí você foi.
- Fui. Pisei no pé dele um monte de vezes.
- Que gafe.
- Nada, ele nem ligou. Ainda disse que eu fazia uma cara bonitinha quando pedia desculpa.
- Hahaha, e depois?
- Trocamos telefones e combinamos de sair.
- É?!
- É.
- Ah, finalmente você deixou de ser molenga!
- Não sou molenga.
- Ah, é sim...
- Sou seletiva, é diferente.
- ... Vive atrás desses tontos, de boca sem cor. Finalmente vai catar um cara lindo de verdade agora.
- Ele é lindo mesmo... Mas eu não vou "catá-lo".
- Como não, já catou ontem.
- A gente apenas dançou, não quer dizer que...
- Mas quem chama pra dançar não quer só dança, quer algo mais!
- Acontece que ele é gay. A gente combinou de sair pra ver roupa, e tal.
- Ai Ana...
* num primeiro encontro *
- E esse anel?
- É meu.
- Bonito.
- Sim. E me salva de apuros quando vem um cara chato.
- Ah é?
- Sim, olha - e troca o anel de dedo.
- Parece aliança mesmo.
- É.
- Usa ele assim hoje. Daí vão pensar que a gente namora.
- Mas e se perguntarem da sua aliança?
- Ah... Diz que a gente brigou e voltou hoje.
- ...
- Hehe.
* hippie, gritando ao ver minha tatuagem*
- Eu sei quem tocou sua harpa!!!
- Hein?
- Eu sei quem tocou sua harpa!!!
- Quem?
- Foi Davi. Foi Davi que eu vi.
- Er...
- Foi Davi que tocou sua harpa.
- Mas é uma lira.
- Ah, depende do ponto de vista.
- Não depende não. Lira é menor, tem menos cordas.
- Ah...
... E saiu, sem graça.
* no metrô *
- Qual o nome do seu papagaio?
- Preto.
- Mas ele é verde, rs.
- Mas eu o chamo de Pretinho, Preto, ah...
- E o nome dele de verdade?
- Você não vai querer saber.
- Fala aí.
- Hehe, é ridículo demais.
- Fala.
- É uma longa história.
- Ahm.
- Quando meu pai trabalhava no Pará, um dia chegou em casa com um casal de papagaios. Eu tinha uns 8 anos, na época, logo, não tinha condições de dar nomes decentes pra animais.
- Hum...
- Aí, como era páscoa, meu pai teve a brilhante idéia: pro macho, deu o nome de Feliz; e pra fêmea, deu o nome de Páscoa.
- Hahaha, está zoando.
- Não estou. Aí, pra não constranger meu papagaio, a gente o chama de Preto mesmo, hehe.
- Hahaha. Mas é tudo junto?
- O que?
- O (barulho do metrô) nome?
- O meu é.
- Mas Feliz Páscoa junto?
- Hein?
- O nome dele é junto?
- Não, Dudu, era um casal e...
- Mas o seu nome é junto.
- Sim. O que tem a ver?
- Se seu nome fosse "Feliz Páscoa", também seria tudo junto?
- Hunf.
- Hahahahahahaha...
* Paranapiacaba *
- Ele mora perto da Gaviões.
- Nossa, perto da Gaviões?
- Perto da Gaviões, na rua do lado.
- Da Gaviões da Fiel?
- Não não. Da Academia Gaviões.
- Ah...
* Miguel *
- Ana.
- Oi.
- Você está destruindo a minha vida.
- Pelo contrário, estou ajudando, olha só como você ficou "pop" depois que começamos a fazer rolês.
- Não é q eu comecei a ficar mais pop, é igual poeira: tá sempre lá, mas se vc mexe, espalha tudo e faz a maior bagunça.
- Que comparação mais ingrata.
- Você é igual a um espanador entende? Não limpa nada, só espalha.
- Desgraçado.
- Hahahaha.
- Ingrato.
- Espanador foi uma comparação carinhosa.
- ...
[felas...]
16.1.08
Para F.
Já estou acostumada
Com esse friozinho
E com a minha companhia
Meus medos e vontades nem tão tolas
No fundo a gente não precisa de gente
O tempo todo pra ser feliz
Não é?
Não precisa ficar aí, pensando
Bancando algo que não tem certeza
Pode sentar ao meu lado
Eu não vou pensar
Que você me quer de alguma forma
Nem vou te querer
(pelo menos na sua frente)
Vai,
Pode sair e dizer tchau
Não vou pedir aos céus você pra mim
Eu não temo mais o não
Acho quenem quero um sim
Já me acostumei
Vai, seja feliz
Que isso eu já sei ser
E, mesmo que não esteja,
Pra mim sempre tudo está tudo bem.
[Alice in Chains = No Excuses]
Com esse friozinho
E com a minha companhia
Meus medos e vontades nem tão tolas
No fundo a gente não precisa de gente
O tempo todo pra ser feliz
Não é?
Não precisa ficar aí, pensando
Bancando algo que não tem certeza
Pode sentar ao meu lado
Eu não vou pensar
Que você me quer de alguma forma
Nem vou te querer
(pelo menos na sua frente)
Vai,
Pode sair e dizer tchau
Não vou pedir aos céus você pra mim
Eu não temo mais o não
Acho quenem quero um sim
Já me acostumei
Vai, seja feliz
Que isso eu já sei ser
E, mesmo que não esteja,
Pra mim sempre tudo está tudo bem.
[Alice in Chains = No Excuses]
"Todo dia algo me torna mais frio
Me encontre sentado sozinho
Sem desculpas que eu sei"
10.1.08
Angra I
A partir de hoje
Teu azul diz outras coisas pra mim
Mesmo quando fica preto
É tão sereno e leve
Andar com a cabeça vazia por aí
E o peito aberto, sem medo
Vai,
Me puxa pra perto de ti
Que a partir de hoje eu só quero flutuar
Deixar as pessoas e seus problemas
Com os meus problemas
Entre os carros e os medos
E trens e confusões da terra
Lá longe, se pegando
Dissolve meus sonhos em cigarros
E litros de alguma bebida boa
Ou em esquinas e poças de chuva
Que agora eu quero é ser só luz
* seja bem vindo, 2008
Teu azul diz outras coisas pra mim
Mesmo quando fica preto
É tão sereno e leve
Andar com a cabeça vazia por aí
E o peito aberto, sem medo
Vai,
Me puxa pra perto de ti
Que a partir de hoje eu só quero flutuar
Deixar as pessoas e seus problemas
Com os meus problemas
Entre os carros e os medos
E trens e confusões da terra
Lá longe, se pegando
Dissolve meus sonhos em cigarros
E litros de alguma bebida boa
Ou em esquinas e poças de chuva
Que agora eu quero é ser só luz
* seja bem vindo, 2008
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