27.5.09

Aviso:

O blog está com problemas.
Além de ter trocado o template sem querer e perder todos os links, acabei não recebendo alguns comentários nas postagens de Abril.

Não repare.
Estou tentando mudar esta bagaça.

Gracias.

26.5.09

Átomos

[2006]


Um dia ele, assim que começaram as aulas de química, perguntou ao professor:

- Mas dá pra gente ver isso?
- O quê?
- Os átomos
- Não, eles são muito pequenos e...
- Mas nem no microscópio?
- Ah.

Mas ele não se deu por saitsfeito. E em toda aula insistia na mesma questão, queria ver os átomos e comprovar se eles tinham mesmo aquelas camadas, os elétrons se compartilhando, as ligações, os anéis aromáticos, e toda aquela festa que o professor desenhava às quintas-feiras. E em mais um dia:

- Professor, dá pra gente ver os átomos?
- Não, Alexandre.
- Nem com microscópio?
- Mesmo com o microscópio eletrônico, você não chega a ver, ele mostra apenas uma representação.
- E tem isso aqui na escola?
- O microscópio?
- É.
- Não, esses aparelhos são dificílimos pra...
- Ah, mas eu vou atrás de um.

Ele realmente queria ver os átomos. A cada aula que passava, ficava mais encantado com aqueles desenhos de planetinhas, a eletrosfera girando feito Saturno, o balãozinho do benzeno, as moléculas de carbono brincando de ser diamante... A curiosidade foi tanta que um dia ele se irritou, e foi aquela coisa de sempre:

- Mas professor... A gente nunca vai ver os átomos mesmo?
- Não, Alexandre.
- Mas então...
- Olha, pensa comigo: imagina a menor coisa que você já viu na vida.
- Uma célula!
- Isso! O átomo é milhões de vezes menor do que uma célula.
- Muito menor?
- Imensamente menor. A célula é feita de átomos.
- Mas então... Se ninguém nunca viu, como sabem que ele é assim?
- Ninguém sabe, essa é uma teoria que Rutherford e Bohr inventaram e foi aceita. Como ninguém desenvolveu uma teoria melhor, esatudamos essa até hoje.
- Mas...

Até que um colega, cansado da mesma conversa, falou pra todo mundo:

- Aah não Deus, ele quer ver os átomos!!!

Foi o bastante pra classe toda cair na risada sem fim. O peofessor também riu, aliviado, mas disfarçou bem.
Ele, o Alexandre, se sentiu tão pequeno naquela hora que parecia de verdade que começava a diminuir, sentiu suas roupas mais largas. As risadas estrondavam dentro da sua cabecinha tão pequena, e a carteira crescia numa velocidade impressionante. Foi diminuindo, diminuindo, até sumir da nossa vista, até as coisas perderem as cores e virarem pontinhos, e continuou diminuindo mais e mais, até os pontinhos virarem bolas imensas e se desfazerem em chuvisco, igual televisão.

Quando sentiu que não podia mais diminuir, abriu os olhos e viu que estava rodeado de uma areia que, mesmo sem vento, não parava de se mexer. Pegou um pouco dessa areia na mão e olhou bem de pertinho, ela não parava quieta mesmo, mas ele pôde perceber que a toda hora os grãozinhos mudavam de tamanho e trocavam poeirinhas entre si.

"Aaaahhh"... Ele não podia acreditar no que via. Os átomos?! Queria crescer de novo pra contar pro professor como eles eram de verdade pra ninguém mais rir dele, e ficou olhando aquele movimento por um tempão, pra explicar direitinho o que ele havia isto. Pensou que o professor poderia ter diminuído também, pra tirar algumas dúvidas.
Olhou por tanto tempo que ficou com sono e, após uma vacilada, se viu grande de novo, na sala vazia, acordado pelo professor:

- Alexandre...
- Que? Ah, professor, deix...
- Já deu a hora de ir embora.
- Mas eu tenho que te c...
- Se você dormir nas minhas aulas, nunca vai aprender essa coisa toda de átomos.
- Mas professor, eu acho que vi os átomos!
- Hahaha... Boa noite, Alexandre. Até a semana que vem.

E ele saiu da sala com uma certa vergonha, os colegas já no final do corredor, alguns ainda rindo do ocorrido. Olhou de novo pra lousa pela janela, mas ela já havia sido apagada. Foi embora e nem se lembrou de tirar os átomos que guardou no bolso.



* essa foi meio verdade, o Alexandre, nessa época, tinha 24 anos, e estava na minha classe quando fiz técnico em Plásticos.

14.5.09

Simpatia pra arrumar emprego


"Finque dois pregos virgens em uma bela maçã e enterre-a no jardim.
Se não tem jardim, enterre num vaso.
Quando conseguir o emprego almejado, desenterre tudo e jogue em água corrente."


Às vezes me pego rindo sozinha quando olho pro horizonte das minhas macieiras, e penso em como tem gente que acredita mesmo em simpatia.



Dias Melhores Virão


Sabe quando te dá vontade de vomitar, mas o estômago está vazio, então você fica rondando o vaso ou o cesto de lixo, esperando que venha algo de dentro pra botar pra fora? Sou eu com vontade de escrever.

Não que eu queira bancar "a escritora e suas manias", mas hoje sofri esperando que a noite chegasse e me brindasse com algumas linhas. Arrumei a casa, me arrumei, passei um esmalte vermelho pra criar um clima fatal, vesti minha camisola rosa e fui para o meu quarto. Fui dormir cedo de propósito.
Mas foi uma péssima idéia ter apagado a luz e ligado a TV. Era um especial sobre Bettye LaVette, e nada melhor do que uma voz negra espalhando a luz azul, vermelha e verde pelo quarto pra melancolizar tudo. Me senti só. A fatalidade das minhas unhas e cabelo vermelhos foi toda embora, sentia que algo me escapava, escorria nas mãos.
Mergulhei no quarto azul. Fechei os olhos e desejei muito me teletransportar para dentro de um belo vestido e sapatos, uma bebida forte qualquer em uma das mãos, enquanto sussurava a tal da Bettye LaVette em algum bar de jazz, numa mesa de canto de cadeira fofa e meia luz.
Não pensei em companhias, estava mais a pensar que não estava lá a resposta que eu queria pra hoje, se é que cheguei a perguntar algo.
Quando abri o olho e olhei pra TV, o programa tinha acabado, quem estava agora era o Snoop Dog quebrando o clima. Tirei meu casaco, e fui dormir sozinha, com as minhas unhas vermelhas e aquele cheiro horrível de cigarro de bar no cabelo.



Coca Quente


Carllo era um jovem de família feliz, seu primeiro emprego foi de ajudante, depois passou para motorista do caminhão da Coca-cola. Era um rapaz feliz e seus pais eram orgulhosos dele.


Um dia, o carro do amante da mãe de Carllo enguiçou no motel, foi preciso chamar o guincho. Por infortúnio, os refrigerantes do estabelecimento tinham acabado no mesmo dia. Mas o caminhão da Coca-cola chegou a tempo de matar a sede do pessoal, e a tempo de Carllo descobrir sua mãe no motel com um cara que não era o seu pai.

Carllo, de tristeza, largou o emprego, saiu de casa, sumiu na vida. Não se sabem notícias dele. Na casa dos pais, ninguém toma Coca-cola.



Gafe de Bolso


No aniversário do meu primo vermelho:
- ... eu gostei do seu cabelo.
- ... ha, e eu achei seu sotaque tão bonitinho. Você é estrangeiro?
- ... não, eu sou deficiente auditivo, eu falo assim mesmo.
*- Ai! Desculpa!
- Tudo bem, eu vou fingir que não ouvi essa, hahaha

E eu vou fingir que não existo, com licença.

* nessa hora eu senti o tempo parando igual no Constantine



Irmaos Brain