Quando eu fico triste, fico acordada até tarde. Assim ninguém chateia minha tristeza e vice versa, somos só eu e o barulho do lápis... ou teclado, nesse caso.
Domingo eu quase vi o Vinícius, mas enquanto ele foi viajar, fui trocar figurinhas da Copa na frente do cemitério com o Miguel e uma galera desconhecida.
Na terça perdi um paletó que ganhei da minha mãe quando comecei a procurar emprego, e só notei que perdi horas mais tarde.
Na quarta vi o Edu e o irmão dele em uma palestra sobre design e sustentabilidade. Não os via há 8 anos! A gente falou tanto, mas tanto... Só na hora da palestra calamos a boca. Depois de uma despedida sem graça, ficou aquela saudade com efeito retardado. Uma vontade de chorar pequenininha, esmagada no bolso da calça por deslumbres profissionais e lançamentos do mundo das embalagens.
Ontem o Vinícius me ligou dizendo que ia na minha casa, mas eu ainda estava no trabalho. Não atendi porque estava em reunião. Depois me contou que saiu com a Erika e a Priscila e "só faltou você lá".
Amanhã vou pra casa do Rodrigo e... Bom, qualquer tempo junto dele pra mim ainda é pouco, é assim desde que o conheço.
Hoje eu cheguei em casa depois das 22h, liguei pra Melissa e não pude demorar no telefone, porque é caro. Eu fico brava quando ela some. Fico brava quando qualquer amigo meu some, mas é porque gosto demais deles. Mas eu também sumo, e ultimamente tenho sumido até de mim mesma... Só à noite, em horas assim que não. Por que a gente só para pra prestar atenção na gente quando fica mal?
Eu também fico brava com esse ritmo que está levando minha vida pra não sei aonde, tudo agora é trabalho, metrô e ônibus; não escrevo mais, nem no diário; não vejo um monte de gente que eu queria ver; não sento mais na laje nem na minha calçada; não fumo mais meu cigarrinho "escondido"; não saio nem 1/3 do que eu planejei sair nas minhas noites até agora; não ligo pra ninguém porque ninguém mais pode demorar no telefone. Tudo agora se resume a um computador e à minha cama. Amigos, trabalho, família, sonhos, até o namoro às vezes, tudo compactado na mesma tela. Em casa, ninguém mais tem tolerância pra conversas. Eu, que adorava um falatório, ando muda. Nenhum amigo sabe mais da minha vida, eu também nao sei da deles, só do link que eles acharam engraçado nos últimos 12 minutos. O resto é dedicação pra gente que eu nem conheço e nem estou afim de conhecer, e pras coisas delas. E mais metrô. E mais ônibus.
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Às vezes tenho saudade de quando minha vida era mais difícil, mais "dolorida", mais simples, mas era mais cheia de coisas que realmente me interessavam. Mais movimentada, digamos assim.
Hoje, eu nem sei quem sou mais eu. Sei que tenho que subir a rua rápido na hora de ir pra casa pra não pegar fila grande no terminal de ônibus e programar o débito de alguma conta na internet qdo chegar em casa.
Queria de volta a pessoa que eu vejo nas fotos guardadas de uns anos: sem estômago e sem coração, cabelo torto e um sorriso sincero de olho fechado nas fotos. Queria que essa menina me puxasse de volta pro mundinho dela, em uma hora tensa do trabalho ou em madrugadas agoniantes como essa. Mas aí lembro que muita foto dessa época nem existe mais agora.
Queria ter escrito algo mais lúdico, menos pessoal, mas isso eu só consigo fazer a lápis. Saiu isso, um texto meio torto e carente, porque há algum tempo ando triste, mas talvez nem desabafar eu saiba mais. Talvez o melhor fosse deixar isso pro diário e tudo continuaria igual. Mas como ando vivendo à base de internet, resolvi colocar aqui, mesmo sem a garantia de que um post piegas e dramático mude algo na vida.
E sei lá, o blog é livre, eu escrevo e tu fica à vontade pra pensar o que quiser.
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