3.2.09

"Iasmane" *

(...)
Iasmine B. diz:
e o orleans** falou para vc ir cagar antes de dormir

Sunset diz:
huahauhaa

Sunset diz:
pode deixar

Sunset diz:
vou cagar, tiro uma foto e mando pro email dele

Sunset diz:
falando nisso, conta essa pra ele:

Sunset diz:
teve um dia, uns anos atrás

Sunset diz:
que eu tava louca de vontade de cagar, acho que no metrô e tal...

Iasmine B. diz:
diga

Sunset diz:
qdo cheguei no banheiro, foi tudo muito rápido e indolor né, rs... aí, a gente sempre dá aquela olhadinha antes de dar descarga né

Iasmine B. diz:
claaaaaaaaaaro

Sunset diz:
aí olha que loco, eu tinha feito o "PI"

Sunset diz:
manja, o 3,1416 (o símbolo, não os números)

Sunset diz:
muito loco

Sunset diz:
nunca esqueço desse cocô

Sunset diz:
devia ter tirado uma foto

Iasmine B. diz:
mentira

Sunset diz:
juro!

Iasmine B. diz:
impossivel cagar o pi

Sunset diz:
pois eu caguei

Iasmine B. diz:
voce é nerd até na hora de cagar

Sunset diz:
devia colocar isso no currículo

Iasmine B. diz:
caramba

Iasmine B. diz:
devia mesmo

Iasmine B. diz:
só os super dotados fazer coisas desse tipo

Iasmine B. diz:
rs.

Sunset diz:
kkkk

Iasmine B. diz:
ai ai

Sunset diz:
meu QI foi todo embora no cocô nesse dia

Iasmine B. diz:
deixa eu ir dormir porque quando a gnt é casado vai mais cedo pra cama no domingo...

Sunset diz:
eu entendo

Iasmine B. diz:
Bjs



Bobolina, fez aniversário hoje.
* "Iasmane" é uma piada interna.
** Orleans é o marido dela.
*** Melissa (link aí do lado) é a irmã dela.


Sobre confianças


O que faz pessoas serem próximas por tanto tempo era plausível de pensar quem olhasse o casal de velhos contornar a quadra outra e outra vez. Sem barulho entre eles, cada um em seu Norte, mas nenhum passo de um sai na frente do pé do outro. Até que ponto do conhecimento pode-se chegar, e até onde vai a sabedoria de cada um em aceitar o lado mais escuro de cada outro?

Certas coisas secam o olho, fecham a garganta, vomitar, dão vontade de vomitar e mostrar mesmo esse lado fedido e gorduroso que impregna as entranhas e corrói, compartilhar tudo mesmo, afinal de contas... mas não. Nessas horas de sentimentos o que se aplica é a teoria do anti-ácido, efervescer sem transbordar, a auto-multilação a ferir alguém com palavras de sangue pisado. Sapos engolidos que fazem da barriga um brejo, comem todas as borboletas. Mas, um sorriso limpo e tudo se conserta.

Iscas.
Iscas que inebriam, hipnotizam, machucam.
Mas o peixe esperto não desafia o anzol, não se machuca, vai engasgar com água na boca e aquela vontade a lhe corroer bem longe. Se submerge tanto que já não sente mais se o que é só imaginação existe de fato ou sua luta contra o autismo já teria terminado e só agora se dava conta da derrota. Só aceita, até que a fome lhe confunda os pensamentos e obrigue a passar de novo pela superfície.

Mendigar por uma certa paz, quem precisa?
Depois descobrir verdades duras em gestos doces e sentir esse gosto na boca, não é mais para hoje. Houve dias em que era possível se esbaldar em olhares sinceros e sorrisos abertos sem duvidar da alvura dos dentes e ter um sono tranquilo.
Hoje não.
A carapaça do inseto que zumbe os pensamentos e controla a cabeça de cada qual endurece, e aprende-se de um jeito triste a não crer nem no que é já é palpável, a dúvida do peso das coisas concretas de volta.



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Irmaos Brain