"Uma vez a minha irmã quebrou o braço, ela deveria ter uns 10 anos, e emendaram (*) o braço dela errado. Então, depois de 6 meses de gesso, tiveram que quebrar o braço dela de novo pra encaixar os ossos certo. Aí, 3 meses depois, ela tirou o gesso e quando chegou em casa, correu pro tanque pra lavar o braço fedido de chulé de gesso. Ela pegou o sabão e esfregava, esfregava no braço, mas não saía espuma.. esfregava de novo e, nada. Depois de umas 3 tentativas ela foi olhar pro sabão e, surpresa: não era um sabão, era uma lesma, daquelas que parecem folhas secas de jardim!"
Saudade desse rapaz.
(*) ou imendaram, nunca sei escrever essa palavra.
19.7.07
17.7.07
Dezessete de Julho
Ah, que dia lástima foi hoje. Desses dias que demoram mais que um dia pra passar, em que as coisas que empurro com a barriga é que me empurram pra encarar uma janela chuvosa e começar o dia sem outro hálito que não seja o meu no travesseiro do lado. Deixei um sol desenhado no vidro e saio com a cabeça reta, fingindo estar num musical americano de véspera de fim de ano, só pra me sentir mais notável. Cheguei ao final da rua e meu coadjuvante não apareceu, segui em frente com meu estilo sem graça, de volta à realidade, ora pensando quanto tempo deve fazer que não vejo fumaças saírem do asfalto.
Fui trabalhar pensando no quanto deveras é necessário ter que encontrar pessoas e alimentar seus mundinhos com frases feitas de água com açúcar em troca de algum dinheiro. E passei o dia todo assim, grafite, até escurecer. Saí do trabalho com trejeitos de "não me toque", não por frescura. É que hoje me senti tão oca que um vento mais forte me derrubaria no chão, me quebrando feito vaso de argila; porcelana não, porque não sou delicada. Era mais um fim de dia e eu voltava pra casa absorta nos esboços de filmes que invento todo dia e que nunca acho um desfecho. A bem da verdade eu já me enjoei dos mesmos personagens, da mesma história batida, mas os pontos de inspiração são os mesmos há tempos. Tentei lembrar em qual parte da transição adolescente-adulta perdi minha criatividade, mas a água que espirrava da rua quando os caminhões passavam era mais importante àquela hora, deixei o filme de lado.
Pensei em fumar, em me embebedar, em D., em fazer um bolo, ah... pensei em tanta coisa e ultimamente é só o que venho fazendo, pensado. Pensei que pudesse morar sozinha hoje, em um apartamento de paredes limpas e almofadas vermelhas no Jabaquara, pra ver a noite caindo em garoa lá fora bem devagar, enquanto mexia no cabelo e cantava "More than this" só de camiseta, calcinha e meia. Mais tarde, D. chegaria e me daria um abraço de oito minutos, festinha no cabelo e um fim de noite bem quente. Mas ainda moro com a minha mãe e ela não pára de falar, de sonhar acordada com o que pode ou poderia ter feito "se", e de seu amor pelos argentinos.
Fui tomar um banho pra ver se alguma coisa se preencheria dentro de mim, depois troquei com D. algumas frases vagas na internet. Queria tanto tê-lo visto hoje, ele não sabe o quanto. Ou deve saber, não sei mais. Fiz um pacto com o vitrô do banheiro e prometi a ele não ficar pensando tanto, depois fui dormir cedo, depois de uns trechos do Neruda e um mingau de chocolate, embaralhando o pensamento em D., coisas do trabalho e Matilde até o sono me apagar.
[The Cure = More Than This]
Fui trabalhar pensando no quanto deveras é necessário ter que encontrar pessoas e alimentar seus mundinhos com frases feitas de água com açúcar em troca de algum dinheiro. E passei o dia todo assim, grafite, até escurecer. Saí do trabalho com trejeitos de "não me toque", não por frescura. É que hoje me senti tão oca que um vento mais forte me derrubaria no chão, me quebrando feito vaso de argila; porcelana não, porque não sou delicada. Era mais um fim de dia e eu voltava pra casa absorta nos esboços de filmes que invento todo dia e que nunca acho um desfecho. A bem da verdade eu já me enjoei dos mesmos personagens, da mesma história batida, mas os pontos de inspiração são os mesmos há tempos. Tentei lembrar em qual parte da transição adolescente-adulta perdi minha criatividade, mas a água que espirrava da rua quando os caminhões passavam era mais importante àquela hora, deixei o filme de lado.
Pensei em fumar, em me embebedar, em D., em fazer um bolo, ah... pensei em tanta coisa e ultimamente é só o que venho fazendo, pensado. Pensei que pudesse morar sozinha hoje, em um apartamento de paredes limpas e almofadas vermelhas no Jabaquara, pra ver a noite caindo em garoa lá fora bem devagar, enquanto mexia no cabelo e cantava "More than this" só de camiseta, calcinha e meia. Mais tarde, D. chegaria e me daria um abraço de oito minutos, festinha no cabelo e um fim de noite bem quente. Mas ainda moro com a minha mãe e ela não pára de falar, de sonhar acordada com o que pode ou poderia ter feito "se", e de seu amor pelos argentinos.
Fui tomar um banho pra ver se alguma coisa se preencheria dentro de mim, depois troquei com D. algumas frases vagas na internet. Queria tanto tê-lo visto hoje, ele não sabe o quanto. Ou deve saber, não sei mais. Fiz um pacto com o vitrô do banheiro e prometi a ele não ficar pensando tanto, depois fui dormir cedo, depois de uns trechos do Neruda e um mingau de chocolate, embaralhando o pensamento em D., coisas do trabalho e Matilde até o sono me apagar.
[The Cure = More Than This]
13.7.07
Quer saber?
Sabe, eu costumava me divertir nas voltas do trabalho com os filmes que fazia na cabeça com a gente. As trilhas sonoras tão bem elaboradas, situações que por mais sem graça e cotidianas que parecessem, com você eram as mais fantásticas. Pena eu não ter achado um projetor, acabou tudo num bolo de fitas na minha garganta.
Sabe, quando eu era pequena brincava que meu travesseiro era meu namorado e até passeava com ele às vezes, parecia você: caladão, roupas nada legais, não se enturmava com meus amigos, não tinha mão boba nem boas idéias para encontros, mas gostava de apoiar minha cabeça quando eu o levava pro telhado de casa.
Sabe, da última vez que você me deu as costas fiquei contando quanto tempo demoraria pra você virar de novo, mas me perdi nos minutos e resolvi ir atrás, temendo que você se perdesse por caminhos desconhecidos ou da minha vista. Quando foi minha vez de dar as costas, saí contando em passos o quanto você demoraria pra vir atrás de mim, depois saí correndo pra ver se acelerava o coração. Nem ao menos um cansaço.
Sabe, tem tanta coisa sua aqui dentro que não merece mais o espaço que ocupa... é difícil achar alguma coisa pra fazer com elas, porque ninguém pra quem eu mostrei se interessou. Até pensei te devolver, mas não encontro uma embalagem que caiba. Até acho que não seja boa idéia te devolver porque cuidei tão bem delas, duvido que você faria o mesmo.
Não, você não sabe. Talvez nunca quis saber. Ou finge muito bem.
[Interpol = Wrecking Ball]
Sabe, quando eu era pequena brincava que meu travesseiro era meu namorado e até passeava com ele às vezes, parecia você: caladão, roupas nada legais, não se enturmava com meus amigos, não tinha mão boba nem boas idéias para encontros, mas gostava de apoiar minha cabeça quando eu o levava pro telhado de casa.
Sabe, da última vez que você me deu as costas fiquei contando quanto tempo demoraria pra você virar de novo, mas me perdi nos minutos e resolvi ir atrás, temendo que você se perdesse por caminhos desconhecidos ou da minha vista. Quando foi minha vez de dar as costas, saí contando em passos o quanto você demoraria pra vir atrás de mim, depois saí correndo pra ver se acelerava o coração. Nem ao menos um cansaço.
Sabe, tem tanta coisa sua aqui dentro que não merece mais o espaço que ocupa... é difícil achar alguma coisa pra fazer com elas, porque ninguém pra quem eu mostrei se interessou. Até pensei te devolver, mas não encontro uma embalagem que caiba. Até acho que não seja boa idéia te devolver porque cuidei tão bem delas, duvido que você faria o mesmo.
Não, você não sabe. Talvez nunca quis saber. Ou finge muito bem.
[Interpol = Wrecking Ball]
9.7.07
CXXIV
Queria dormir passando a mão no cabelo dele
Queria viver sempre ao lado dele
Mas nem ao menos se conheciam
Ela queria lhe escrever
Mas não sabia o que dizer
Se ao menos aquele olhar bastasse
Mas nunca passava do abraço
Nem ao menos um esbarrão enganado
Pra iluminar o resto de dia
Não
Ela ficaria por ali a vida inteira
Mexendo no cabelo
Olhando de longe ele ser feliz.
Queria viver sempre ao lado dele
Mas nem ao menos se conheciam
Ela queria lhe escrever
Mas não sabia o que dizer
Se ao menos aquele olhar bastasse
Mas nunca passava do abraço
Nem ao menos um esbarrão enganado
Pra iluminar o resto de dia
Não
Ela ficaria por ali a vida inteira
Mexendo no cabelo
Olhando de longe ele ser feliz.
[Imogen Heap = Come Here Boy]
cartinha de 2001
Eu gosto do barulho do seu cabelo quando você passa a mão, da água que sai do seu sorriso raro, do barulho que as roupas fazem na sua pele quando anda.
Gosto do movimento dos seus cílios quando o Sol te irrita, dos risquinhos do seu olho movendo como agulhas a furar a pupila num sinal de preocupação, acompanhando o estralo dos dedos de pé. Já reparou que você nunca pára de mexer os pés enquanto escreve? Sem contar o jeito torto, mas leve, com que pega na caneta.
Gosto até do seu meio abraço de mãos fechadas, do seu jeito de falar olhando pro nada, da sua voz baixa e quase sem paciência, saindo como um sopro pela abertura da boca que nem deixa ver os dentes, e da sua pressa em ficar longe de todo mundo.
É... eu não sei se você é legal, não te conheço, mas gosto de você.
[Björk = It's not up to you]
Gosto do movimento dos seus cílios quando o Sol te irrita, dos risquinhos do seu olho movendo como agulhas a furar a pupila num sinal de preocupação, acompanhando o estralo dos dedos de pé. Já reparou que você nunca pára de mexer os pés enquanto escreve? Sem contar o jeito torto, mas leve, com que pega na caneta.
Gosto até do seu meio abraço de mãos fechadas, do seu jeito de falar olhando pro nada, da sua voz baixa e quase sem paciência, saindo como um sopro pela abertura da boca que nem deixa ver os dentes, e da sua pressa em ficar longe de todo mundo.
É... eu não sei se você é legal, não te conheço, mas gosto de você.
[Björk = It's not up to you]
7.7.07
sem graça
Não tem mais graça adivinhar com que roupa você vem hoje.
Não faz mais diferença se você cortou o cabelo muito curto.
Nem se está de perfume novo.
Eu não quero saber das suas piadas novas.
Eu não palpito mais quando seu carro passa na rua e trepida minha janela.
Eu leio seus emails e encaminho pra lixeira junto com as correntes.
Não quero mais que o tempo pare só pra gente depois das três.
Não vou mais dormir tarde porque fiquei pensando em você.
Não me preocupo mais com o que depende ou não só da gente.
E nem lembro mais qual foi a última vez que achei graça nos seus abraços.
Eu passei tanto tempo pensando na gente juntos que já perdeu a graça.
[Foo Fighters = Still]
Não faz mais diferença se você cortou o cabelo muito curto.
Nem se está de perfume novo.
Eu não quero saber das suas piadas novas.
Eu não palpito mais quando seu carro passa na rua e trepida minha janela.
Eu leio seus emails e encaminho pra lixeira junto com as correntes.
Não quero mais que o tempo pare só pra gente depois das três.
Não vou mais dormir tarde porque fiquei pensando em você.
Não me preocupo mais com o que depende ou não só da gente.
E nem lembro mais qual foi a última vez que achei graça nos seus abraços.
Eu passei tanto tempo pensando na gente juntos que já perdeu a graça.
[Foo Fighters = Still]
5.7.07
secret wishes
Encosta tua boca em mim
E faz o mundo ficar mais devagar
Me puxa pela mão para o ar
A cidade lá embaixo, tão pequena
Quase não dá pra ver os leds das torres
Prédio de brinquedo
Me faz querer gritar, mas perco a voz,
O tato, a visão, sou só um sentido agora
O teu...
E faz o mundo ficar mais devagar
Me puxa pela mão para o ar
A cidade lá embaixo, tão pequena
Quase não dá pra ver os leds das torres
Prédio de brinquedo
Me faz querer gritar, mas perco a voz,
O tato, a visão, sou só um sentido agora
O teu...
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