14.5.09
Gafe de Bolso
No aniversário do meu primo vermelho:
- ... eu gostei do seu cabelo.
- ... ha, e eu achei seu sotaque tão bonitinho. Você é estrangeiro?
- ... não, eu sou deficiente auditivo, eu falo assim mesmo.
*- Ai! Desculpa!
- Tudo bem, eu vou fingir que não ouvi essa, hahaha
E eu vou fingir que não existo, com licença.
* nessa hora eu senti o tempo parando igual no Constantine
1.4.09
A Recurring Dream Within A Dream
Faltava uns 3 minutos pra meia noite quando acordei de um sonho estranho. Olhei a hora no celular e levantei pra tomar um copo d'água, mas no meio do caminho vi uma fenda grande na parede da sala, de onde saía uma luz fraca e podia ouvir um burburinho do outro lado. Fui ver o que era, esqueci da água. Quando encostei, a parede abriu como uma cortina e um velho me puxou pra dentro dela.
Abriu como cortina, mas ainda era parede, e o buraco era estreito, arregaçou meus ombros. O velho era o Roger Waters, que na hora chamou uma moça pra me limpar, e me deu um avental. Ele falava muito rápido e preocupado, em russo, me entregou uma prancheta com uns estudos, umas fórmulas e desenhos de uma planta pegajosa que crescia pelas paredes do lugar. A minha função ali naquela noite era desenvolver um remédio a partir de uma bactéria que essa planta produzia pra achar a cura de uma doença, o planeta estava doente. Eu não ia ter equipe, trabalharia sozinha, mas de vez em quando ele acompanharia a evolução do caso e me ajudaria caso eu tivesse alguma dúvida.
Achei absurdo, eu gosto mas não entendo muito desses lances químicos. Tentei voltar pra sala da minha casa, mas ele me segurou e, pior, o buraco na parede tinha fechado e eu tava do outro lado. Que merda. Já era a minha água, e o que eu ia falar pra minha mãe?! Ele disse que na hora certa eu veria a minha mãe de novo, mas agora era bom trabalhar rápido.
Ele me mostrou a mesa onde eu ficaria, os equipamentos, os relatórios, tudo. O lugar era bem frio, e era coisa pra cacete, mas eu não tinha muita alternativa, então prestei atenção.
Foi moleza estudar a planta, isolar a bactéria e achar o tal remédio, e a planta pegajosa crescia mais do que não sei o que. Tinha um rádio lá na minha mesa, eu e o Roger Waters ficávvamos conversando sobre música às vezes, no café da tarde. Mas depois de um tempo, ele azedou, ficava triste quando ouvia qualquer música e arrancou a antena, pra não me desconcentrar. Sei. Eu também parei de assobiar, ele não gostava de assobio.
Fiquei anos nesse lugar, produzindo o tal remédio. Lembro que emagreci um bocado, porque me envolvi demais na causa e esquecia de comer e dormir, às vezes. Cada dia era quase igual ao outro, não tinha novidade, nem surpresas, tudo sempre igual, mas o trabalho era gostoso, eu não sentia cansaço nenhum. Depois de um tempo percebi que meu cabelo estava enorme, e a velocidade de crescimento da planta, e a sua qualidade, cresciam de acordo com o que eu sentia no dia. Estranho. Muito estranho. Ela lembra aquelas plantas aquáticas que tomam chá, que parecem uma gosmona, misturada com trepadeiras.
Até que um dia eu reparei que o "laboratório" estava sem muito movimento, silencioso demais pro meu gosto. Saí da minha mesa, andei pelo lugar e vi que o Roger Waters não estava mais na sala dele há muito tempo. Puto, fugiu e me largou trabalhando. Voltei pra minha mesa e, de repente, não tinha mais planta nenhuma pela parede. Me bateu uma aflição, comecei a andar de um lado pro outro, até que vi que tinha um quintal bem branco, quase fiquei cega com a luz do dia, eu não me lembro muito de ter saído depois de tantos anos de trabalho.
Enfim, nesse quintal aí, eu achei um portão meio aberto que dava num quarteirão perto de casa e, antes que alguém me visse, saí correndo feito louca, de avental e tudo, direto pra minha casa, pra ver se ela ainda estava lá. A TV estava ligada, que ótimo. Quando entrei, o roger Waters estava na TV falando de mim, e minha mãe estava no sofá, mas estava tão velhinha, mas tão velhinha... Tive um choque. Assim que ela me viu, chamou meus irmãos, também estavam velhos. Eles queriam saber quanto tempo eu fiquei fora, porque tinha fugido, nem viram a reportagem. Pô, eu fiquei anos trabalhando, precisava voltar pra minha cama... Depois contava o que havia acontecido, tava vesga de sono.
Acordei de novo, na minha cama.
Era 00:01h e eu tava morrendo de sede.
E até hoje lembro desse sonho quando ouço a música.
The clock struck midnight
And through my sleeping
I heard a tapping at my door
I looked but nothing lay in the darkness
And so I turned inside once more
Alan Parsons - A Recurring Dream Within A Dream
31.3.09
Melissa
E já digo que não ia com a cara dela no começo.
E, como todas as coisas que eu odeio de início, paguei a língua depois que conheci.
Soube da existência dela no saudoso fórum do Atari, mesmo lugar onde eu conheci os melhores amigos da minha vida. Mas eu não gostava dela, achava que aquele clima deprê e aquela competição no fórum de "eu sou mais triste que você" da época tava na moda demais, atrapalhava, e nessa época eu estava mais preocupada se eu gastava meus R$ 5,00 diários em comida pra minha casa ou na condução pra faculdade.
Mais pra frente, a gente se falou de verdade, na casa do Dudu. Ela estava numas de querer fugir pra Porto Alegre, mas precisava de uma irmã mais nova substituta, enquanto a "Iasmane" desbravava a Alemanha, e eu estava carente de amigas mulheres. Então, essa noite foi o suficiente pra gente combinar mil rolês e fazer apenas um, no Manifesto. Rolê esse onde conheci o Alexander alucinógeno e um falso poeta que não me deixava jogar sinuca, mas até aí tudo bem, ninguém estava jogando mesmo.
Depois vieram as conversas intermináveis e os casos super engraçados de laboratório. Achava engraçado a naturalidade com que ela contava dos cocôs que analisava, dos exames de papanicolau que fazia, e rolava de rir.
Foram muitas fases, a de Porto Alegre, a das discotecagens na Killer Cat, a da Funhouse, a Rockabilly, a de querer ser loira, a de andar na Paulista, a de comissária, a hip hop, a de quando ela realmente ficou loira, a do desemprego, a do quarto novo, a fase da Whitney Houston, agora a da faculdade e muitas outras que ainda virão. No começo eu pensava "credo, que menina inconstante, como ela consegue?", mas com o tempo eu aprendi que ser constante demais era o que me enjoava de mim mesma e, mesmo que tu quebre a cara depois que muda algo em ti, já ganhou algo, porque mudou, e isso é bom, segundo a minha amiga metamorfose-ambulante que não se parece nada com o Raul Seixas, ainda bem.
E com os meninos? Dessa parte eu nem vou falar, isso é pra gente só lembrar e rir. Mas rir muito, depois de ter chorado tanto à toa juntas.
Ela me defendeu de um assalto feio na galeria. No mesmo dia, me apresentou o Rodrigón, e devia ganhar o Prêmio Nobel da Amizade só por isso. Ela me ensinou a usar maquiagem, a gostar de cosméticos, a usar camiseta sem parecer tão largada, a ser mais feminina, a ficar horas nessas lojas de shampoo e cremes ou edredons na Zêlo sem ninguém pra apressar ou nos chamar de bregas. Me ensinou também que ter amigo muito mais novo, adolescente, é muito mais divertido do que a gente pensa, é como voltar às vezes ao próprio passado. E me passou o vírus que faz a gente gostar tanto de Porto Alegre.
Ela tem também seu lado chato, cocôzona. Mas esse lado eu não conheço ainda, e quando conhecer, espero que não mude nada do que eu acho dela.
Ela é a irmã mais velha que eu não tive mesmo. E eu adoro um tanto essa figurinha de peruca cinza que gosta de fuçar cadáveres (não, ela não arromba túmulos, faz Biomédicas).
Mel, como diz o título, esse post é pra você.
Estava te devendo de aniversário ainda, não postei nada a seu respeito, que desfalque!
Mas te amo de qualquer forma, bicha!
E, como todas as coisas que eu odeio de início, paguei a língua depois que conheci.
Soube da existência dela no saudoso fórum do Atari, mesmo lugar onde eu conheci os melhores amigos da minha vida. Mas eu não gostava dela, achava que aquele clima deprê e aquela competição no fórum de "eu sou mais triste que você" da época tava na moda demais, atrapalhava, e nessa época eu estava mais preocupada se eu gastava meus R$ 5,00 diários em comida pra minha casa ou na condução pra faculdade.
Mais pra frente, a gente se falou de verdade, na casa do Dudu. Ela estava numas de querer fugir pra Porto Alegre, mas precisava de uma irmã mais nova substituta, enquanto a "Iasmane" desbravava a Alemanha, e eu estava carente de amigas mulheres. Então, essa noite foi o suficiente pra gente combinar mil rolês e fazer apenas um, no Manifesto. Rolê esse onde conheci o Alexander alucinógeno e um falso poeta que não me deixava jogar sinuca, mas até aí tudo bem, ninguém estava jogando mesmo.
Depois vieram as conversas intermináveis e os casos super engraçados de laboratório. Achava engraçado a naturalidade com que ela contava dos cocôs que analisava, dos exames de papanicolau que fazia, e rolava de rir.
Foram muitas fases, a de Porto Alegre, a das discotecagens na Killer Cat, a da Funhouse, a Rockabilly, a de querer ser loira, a de andar na Paulista, a de comissária, a hip hop, a de quando ela realmente ficou loira, a do desemprego, a do quarto novo, a fase da Whitney Houston, agora a da faculdade e muitas outras que ainda virão. No começo eu pensava "credo, que menina inconstante, como ela consegue?", mas com o tempo eu aprendi que ser constante demais era o que me enjoava de mim mesma e, mesmo que tu quebre a cara depois que muda algo em ti, já ganhou algo, porque mudou, e isso é bom, segundo a minha amiga metamorfose-ambulante que não se parece nada com o Raul Seixas, ainda bem.
E com os meninos? Dessa parte eu nem vou falar, isso é pra gente só lembrar e rir. Mas rir muito, depois de ter chorado tanto à toa juntas.
Ela me defendeu de um assalto feio na galeria. No mesmo dia, me apresentou o Rodrigón, e devia ganhar o Prêmio Nobel da Amizade só por isso. Ela me ensinou a usar maquiagem, a gostar de cosméticos, a usar camiseta sem parecer tão largada, a ser mais feminina, a ficar horas nessas lojas de shampoo e cremes ou edredons na Zêlo sem ninguém pra apressar ou nos chamar de bregas. Me ensinou também que ter amigo muito mais novo, adolescente, é muito mais divertido do que a gente pensa, é como voltar às vezes ao próprio passado. E me passou o vírus que faz a gente gostar tanto de Porto Alegre.
Ela tem também seu lado chato, cocôzona. Mas esse lado eu não conheço ainda, e quando conhecer, espero que não mude nada do que eu acho dela.
Ela é a irmã mais velha que eu não tive mesmo. E eu adoro um tanto essa figurinha de peruca cinza que gosta de fuçar cadáveres (não, ela não arromba túmulos, faz Biomédicas).
Mel, como diz o título, esse post é pra você.
Estava te devendo de aniversário ainda, não postei nada a seu respeito, que desfalque!
Mas te amo de qualquer forma, bicha!
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