14.5.09

Dias Melhores Virão


Sabe quando te dá vontade de vomitar, mas o estômago está vazio, então você fica rondando o vaso ou o cesto de lixo, esperando que venha algo de dentro pra botar pra fora? Sou eu com vontade de escrever.

Não que eu queira bancar "a escritora e suas manias", mas hoje sofri esperando que a noite chegasse e me brindasse com algumas linhas. Arrumei a casa, me arrumei, passei um esmalte vermelho pra criar um clima fatal, vesti minha camisola rosa e fui para o meu quarto. Fui dormir cedo de propósito.
Mas foi uma péssima idéia ter apagado a luz e ligado a TV. Era um especial sobre Bettye LaVette, e nada melhor do que uma voz negra espalhando a luz azul, vermelha e verde pelo quarto pra melancolizar tudo. Me senti só. A fatalidade das minhas unhas e cabelo vermelhos foi toda embora, sentia que algo me escapava, escorria nas mãos.
Mergulhei no quarto azul. Fechei os olhos e desejei muito me teletransportar para dentro de um belo vestido e sapatos, uma bebida forte qualquer em uma das mãos, enquanto sussurava a tal da Bettye LaVette em algum bar de jazz, numa mesa de canto de cadeira fofa e meia luz.
Não pensei em companhias, estava mais a pensar que não estava lá a resposta que eu queria pra hoje, se é que cheguei a perguntar algo.
Quando abri o olho e olhei pra TV, o programa tinha acabado, quem estava agora era o Snoop Dog quebrando o clima. Tirei meu casaco, e fui dormir sozinha, com as minhas unhas vermelhas e aquele cheiro horrível de cigarro de bar no cabelo.



Coca Quente


Carllo era um jovem de família feliz, seu primeiro emprego foi de ajudante, depois passou para motorista do caminhão da Coca-cola. Era um rapaz feliz e seus pais eram orgulhosos dele.


Um dia, o carro do amante da mãe de Carllo enguiçou no motel, foi preciso chamar o guincho. Por infortúnio, os refrigerantes do estabelecimento tinham acabado no mesmo dia. Mas o caminhão da Coca-cola chegou a tempo de matar a sede do pessoal, e a tempo de Carllo descobrir sua mãe no motel com um cara que não era o seu pai.

Carllo, de tristeza, largou o emprego, saiu de casa, sumiu na vida. Não se sabem notícias dele. Na casa dos pais, ninguém toma Coca-cola.



Gafe de Bolso


No aniversário do meu primo vermelho:
- ... eu gostei do seu cabelo.
- ... ha, e eu achei seu sotaque tão bonitinho. Você é estrangeiro?
- ... não, eu sou deficiente auditivo, eu falo assim mesmo.
*- Ai! Desculpa!
- Tudo bem, eu vou fingir que não ouvi essa, hahaha

E eu vou fingir que não existo, com licença.

* nessa hora eu senti o tempo parando igual no Constantine



Irmaos Brain