16.2.10

O Mundo Anda Tão Complicado I

Lembro da época em que ouvia Legião e a vida era fácil de um jeito diferente. Tinha a escola com sua biblioteca gelada e a quadra na laje, poucos amigos, CDs em cima da cama e tardes longas para gastar o lápis até que a noite escurecesse as páginas. Sem as preocupações que tenho hoje. Naquela época era mais fácil decidir, o que eu escolhia não mudava o mundo alheio, embora a minha vontade de revoluções lá atrás fosse grande. Antes eu não tinha preguiça, nem dos fatos, nem de gente.

Hoje eu acordo ao meio-dia, amanhã é a sua vez.

Hoje o mundo anda bem mais complicado e quem gostava de Legião, hoje fala mal. Hoje não se sabe mais o que é bom, tudo é muito bom e muito ruim de uma vez só. Mas eu nem ligo. Hoje eu sou mais um, de medos, ansiedades e problemas comuns. Não decido nada pra não mudar a vida de ninguém, tampouco a minha. Perdi a mão pra revolução, tenho preguiça da opinião. E se hoje eu parei de escrever é porque dormi no metrô e esqueci tudo.

Hoje tenho vergonha de abraçar meus pais e de confessar que dormi mais tarde porque fiquei preocupada com o futuro deles. Os abraços de saudade e o ciúme dos irmãos se resumem a um email semanal com um link engraçado ou power point com filhotes que te ensinam a viver a vida. Infinitamente mais vergonhoso, mas de um jeito simples e romântico. A velha preguiça de gente, hoje já não existem mais conversas no quintal da frente enquanto se come uma mexerica.

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo, e até que é fácil acostumar-se com meu jeito, que nem sei se é mais meu. Eu, que vivi por décadas tentando conservar a minha essência, já mudei tanto nesses 2 últimos anos que nem me reconheço hoje.

Mas assim é mais fácil.
Você me conta como foi seu dia, e a gente diz um pro outro "estou com sono, vamos dormir!"
De fato, essa vida continua fácil. Mas com outras cores, não as mesmas de antes. Agora eu não tenho tempo, mas quando tiver, quero ouvir uma canção de amor que fale da minha situação, de quem deixou a segurança de seu mundo, mas até agora não viu aquele amor todo que cantavam na canção.




9.2.10

Diálogos...

Vivi

- Olha...você viu que as cédulas vão ter desenhos novos?
- Nossa, que bonito. Quem será que desenhou hein?
- É né, rs. Será que foi aquela menina que saiu daqui e fez um freela pro Banco Central?
- Hhauahiahua, já pensou?
- Hhaiuahaiuah... "As novas notas mantiveram as mesmas cores das antigas e os mesmos animais". Hum, eu nem sei qual bicho tem na nota de 100 reais, vi tão pouco essa nota.
- Tem um peixe. Bom, na de 20 eu sei que tem um macaco, isso é certeza.
- É, um mico leão dourado, né?
- É. Eu sei porque onde eu trabalhava um dos motoboys chegou com uma nota falsa, e no verso tinha um macaco mó grande impresso, tipo um gorila.
- HAHUHAHAHAHAHAHA
- Hahuuahua, muito zoada a nota. Ele disse "ah, eu nem vi, peguei a nota dobrada", depois teve mó trabalho pra trocar.
- Que burrrrrrro.
- Dá zero pra ele.


Imaginário

- Ana, olha a blusinha que eu comprei.
- (afff... comprou usada?) Que gracinha!
- É, eu gostei dela por causa dese bichinho aqui, tem vááárias roupas com a estampa dele agora na "loja tal"
- (ah é? foda-se) Ah, que bacana, muito fofo.
- O problema é que não tinha regata do meu tamanho, acabei comprando a G.
- (que bosta) Ah, que bosta.
- É, e agora eu tô me sentindo meio lésbica com essa regata assim. Não parece?
- (hahaha pode crer) Nada, imagina.
- Ah, vc não acha?
- (acho, quer uma pochete tb?) Que nada, tá normal. Mas se te incomoda, por que vc não troca?
- Acho que não deve ter outra, e eu já tirei a etiqueta.
- (então cala a boca) Ah...
- É ...
- (tá, tchau)


Libélula

- Bom dia.
- Bom dia.
- Que porra é essa na minha mesa?
- É uma libélula.
- Eu sei, mas tá morta?!
- Está. Achamos no jardim, aí alguém falou "A Ana gosta de libélula" e daí colocamos na mesa pra você!!! =D
- Mas como vcs sabem que eu gosto de libélula?
- Ah, vc não gosta?
- Eu adoro. Mas vivas, rs.
- Ah que bom.
- M-mas...
- Ah Ana, é presente, vai.
- Hnf... Eu vou tirar umas fotos dela, porque se eu contar, ninguém vai acreditar.

No mesmo dia, à tarde, tinha uma mariposa de 20cm na mesa, também de "presente". Aí é muita zoação. joguei a coitada fora sem velar o corpo.

Foda que tem 1 semana que a "lib" tá aqui e eu não tirei as fotos que prometi, ela está até entediada...





[...]




20.1.10

Ontem


Mais um dia que eu tento sair do trabalho cedo no horário às 19:00 e não consigo. Saí às 19:15h, a caminhada até o metrô foi sossegada e o metrô também estava tranquilo.

Depois do metrô, eu pego um ônibus pra ir pra casa cuja viagem demora de 25 (quando o motorista é bom) a 40 minutos (normal). No terminal desse busão que eu pego rola o seguinte esquema: tem 2 filas, uma pra quem quer ir sentado e uma pra quem quer ir em pé. Obviamente, a fila dos sentados entra primeiro e, quando faltam poucos lugares a serem preenchidos, a fila dos que querem ir em pé é liberada.

Chegando na fila dos sentados, já rolou um quase stress: o pessoal que ia esperar o próximo ônibus parou na fila e, então, passei pelo lado pra entrar no bus antes que a segunda fila fosse liberada. NE QUE uma menina, na minha frente e falando no celular empacou. NE QUE passei por ela e ouvi com uma voz bem de mulherzinha fiadaputa "nhenhe esse pessoal que fura fila, passa na frente de todo mundo... vou te falar". Eu nem olhei pra cara da infeliz, mas só berrei EU TÔ NA FILA, TROXA e segui meu caminho. A menina parou e ficou me fitando por 1,42 segundo, logo atrás a galera já estava falando pra ela sair da frente, andar logo, etc. Quiá, se fudeu. Troxa.

Fui para o meu assento de sempre, do lado direito do corredor, perto da porta de trás, e iniciei a minha batalha diária no joguinho de guerra de comida do Tom & Jerry que tenho no celular. Incrível como esse joguinho tem o poder de acelerar absurdamente o tempo porque, quando levantei a cabeça, já estava no outro terminal em Diabodema. Não que a distância do Jabaquara até lá seja muito grande, mas eu estava em outro universo, então nem notei.

Chegando em Diabodema, parei de jogar e resolvi tirar um cochilo, já que ainda faltavam uns 20 minutos pra eu descer, e pra mim isso é tempo mais do que suficiente pra dormir bem e ter sonhos malucos que podem virar livros. Dormi uns 10 minutos, e quando acordei, ainda estava no terminal. Achei estranho, geralmente a parada leva de 3 a 5 minutos pra descarregar o pessoal e carregar de novo mais pra frente; mas voltei a dormir. Mais uns 8 minutos passaram, acordei com o ônibus saindo do terminal e, lá fora, uma puta chuva. Mas chuva! C-h-u-v-a, de pingos com cerca de 5cm de diâmetro (não medi, tô deduzindo).

Queria aproveitar o barulhinho da tempestade pra dormir mais um pouco, estava me sentindo confortável dentro do busão sequinho, mas passamos pelo córrego que divide Diabodema de SBC e putaqueopariu, me senti no Splash, quanta água; aquele riozinho no dia a dia é tão pacato, hoje tava tendo o seu dia de Tietê, =P. Enfim, o ônibus passou pela enchente que estava começando e, mais pra frente, empacou de novo, lá no cruzamento com o corredor ABD.

Só nesse trechinho eu fiquei uns 45 minutos olhando a chuva e ouvindo o ar condicionado do ônibus. Estava quase dando 21:00h quando a minha mãe me ligou, achando que eu ainda estivesse no trabalho - o que é normal, mas dessa vez eu tinha ido embora cedo.

Quando o ônibus saiu do lugar, foi andando bem devagarzinho até o segundo terminal. Pensei "ufa, finalmente, mais 4 pontos e eu desço". Tá bom, Ana. O busão mal saiu do terminal e parou de novo, dessa vez porque a avenida da frente estava completamente alagada. O horror! Ninguém passava. Nem nadando porque o negócio tava muito feio, vários rios transbordaram e a água agora estava toda ali.

Voltei pro meu joguinho do Tom & Jerry, ouvi música até enjoar, ouvi conversas alheias e quando era umas quase 23:00h o meu irmão, que estava vindo de SP e fazendo o mesmo trajeto que eu ligou avisando que já estava chegando por aquelas bandas e perguntou se eu podia esperá-lo pra voltarmos juntos pra casa -sim, claro, não estava fazendo nada mesmo né, rs. A essa altura a minha mãe já tinha ligado umas 5 vezes perguntando por que eu estava demorando tanto pra chegar, se não dava pra descer e ir a pé (até dava, se o caminha não estivesse submerso ou eu tivesse um kit mergulhador na mão), depois achou melhor eu ficar no ônibus mesmo porque nesses dias de catástrofe tava cheio de estuprador na rua, e finalmente dizendo que ia pegar o carro e me buscar - um barco seria mais adequado, carro não ia passar ali. Curiosamente, tinha um casalzinho no banco da frente cuja mãe parecia estar falando as mesmas coisas no celular, o carinha já começava a ficar puto com ela. Essas mães, viu, tsc tsc... "Não sai daí porque é perigoso, mas quero que vc chegue logo em casa, cria asa e vem embora". Parecia que estavam falando isso.

Quando deu 23:15h e o ônibus não tinha sequer dado um tranco pra mexer ou sair do lugar - e eu com o cérebro cheio de joguinho, música, barulho de motor, buzinas, ar condicionado e burburinho -, olhei bem pro senhor que dormia ao meu lado... Porra, eu não tinha uma caneta na bolsa pra me distrair escrevendo ou desenhando, e também não tinha papel, aquelas janelas respingadas, as lanternas dos carros da CET e aquele cheirinho de muvuca começavam a contagiar o ambiente... Que que eu estava esperando ali?

Desci do busão brilhando de suor e raiva e voltei a pé pra dentro do terminal, em busca de alguma aventura que não era, mas pra esperar o meu irmão. O lugar parecia a Virada Cultural, a cidade inteira estava dentro do terminal, andando onde não podia, sentada na pista, só gente bonita e bem educada, uma beleza. Me encostei num canto pra esperar o meu irmão e tomei tanto esbarrão que achei que os feladaputa iam começar a andar na parede. Ô merda. Cadê meu irmão? Já era 23:40h e nada dele chegar, isso porque estava perto.

Ele chegou lá pela 00:00 em ponto, falando que o ônibus fez todo mundo descer um pouco antes porque o motorista arrancou o ônibus pra sair do ponto enquanto um cara estava subindo e o cara caiu, aí os dois começaram a brigar, e a bateria do celular do meu irmão acabou, etc etc etc... Coisas que só acontecem com o meu irmão.

Liguei pra minha mãe pra avisar que já estávamos indo embora, a água estava baixando, os carros e as pessoas voltavam lentamente a transitar. A coitada já estava igual ao Macaco Louco lá em casa, ainda mais porque ela tem pavor de relâmpago, esses lances elétricos. Fomos patinando na lama até uma parte do caminho, quando encontramos com ela de carro pra nos buscar e nos levar pra casa.

Quando entrei em casa, já era 00:20h.
Uma viagem que leva cerca de 1h hoje levou 5, e ainda cheguei toda enlamaçada em casa. Fui entrar na internet pra ver se a minha vila estava no noticiário e dei de cara com uma chamada das brincadeiras do BBB 10, aí foi demais pra mim, vai tomar no cu.

Fui dormir.
Hoje tô caindo de sono, e vou embora antes da chuva.



* Desculpe quem não se situou com as referências, quem conhece os lugares que falei tem idéia do perreio que foi. Quem mora no SBC tá ligado. Quem não, só posso resumir que foi uma desgraça.




Irmaos Brain