"...Oh when I woke up tonight I said 'I'm gonna make somebody love me'
And now I know now I know now I know
I know that is you
You are so lucky lucky lucky..."
Franz Ferdinand, em 27.MAI.2006
Foi o tempo de uma música, o tempo que bastou pra que eu resolvesse sair de trás da esquina do bar que eu nem queria ter ido e te ver direito. Aquela noite eu ia ter certeza que tu existias. E como eu sabia que eras tu? As coisas estavam tão previsíveis e piegas como numa propaganda de sabonete qualquer, mas eu não havia te imaginado com uma armação de óculos tão feia. Fiquei com medo. E se não fosse?
Até pensei que 3 minutos eram pouco demais pra que eu sentisse que tu poderias até ser o pai de um filho meu um dia, embora agora pense que só queria teu filho, pelo Q.I. alto; não suportaria viver do teu lado e de todo esse teu ego absurdo e desnecessário por muito tempo. Ou sim? Não.
Sim, três minutos foram pouco e muito, o tempo de um fim de semana inteiro, de killer cats e fnacs, cinemas e livros, de trens e despedidas sem tristeza e promessa nenhuma, de maio a outubro, de brigadeiros e conjuntos nacionais, de desencontros propositais, funhouses e Interpol, padaria e hip hop.
E é como se ao mesmo tempo tivesse acontecido nada. Como se eu ainda estivesse na catraca da Barra Funda te vendo ir embora com sua camiseta nova sumindo nas escadas, e passando frio porque tinha esquecido da blusa. "Era pra ser triste?". Não, não era, desculpe, mas não foi a minha voz que tremeu na hora de dizer tchau, nem era mais teu o sorrisão bobo o e aperto no peito durante meses. Aquilo tinha acontecido mesmo?
E pensar que folhas e folhas e grafites foram gastos em tua homenagem, tintas foram desperdiçadas com as tuas fotos, mensagens subliminares de blog e músicas foram ao último volume pra ninguém além de mim escutar, e não serviram pra compensar a distância, só pra alimentar meu autismo, terreno baldio cujo mato eu regava sozinha. Ao menos me renderam bons textos, mas e aquele detalhe da reciprocidade? Quem era o merecedor das palavras, tu ou o "pseudo-tu" que criei na minha cabeça nos dias de febre?
Pois é. Um dia a febre passa e a temperatura abaixa. O remédio foi essa tua mania de querer enfrentar algo que não conheces, dessa coisa toda de relação aberta, que me contaminou e me deixou moderna demais a ponto de não querer ninguém, ou alguém a quem julgava amar de verdade, mas com tanto defeito, a meu ver. Amar, pff, poderia eu usar mesmo essa palavra tão pesada, isso existe entre quem não se conhece, entre quem tem medo e acha que ninguém percebe? "Não é pra tanto", tu me disseste uma vez. Perfeito, pensei que tu fosses, só por causa do teu cabelo liso e teus textos bem escritos. Tu, que usas tão bem as palavras, mas és tão péssimo com o coração.
Ah, onde foi que o amor acabou? Chegou um dia a existir? Foi erro meu ter pensado tanto em ti, gostado tanto de ti? Foi erro meu tentar mostrar o que sentia? Será que te espantei? Ou sou muito pra ti? Não sei, mas não jogues a culpa nas minhas tolas intenções, encarreguei eu mesma de dar um fim nelas. Durou exatamente um ano, ou a distância de 3 estações durante uma madrugada gelada. Mas não valeu a pena nem pelos 3 minutos.
Agora quem virou as costas pras catracas e foi embora mais cedo fui eu.
-FIM-

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