* no trabalho antigo *
- ...Daí que foi nessa hora que o cara lindo apareceu.
- Cara lindo?
- É.
- Ana, pára.
- O que...
- Já estou até vendo o tipo de lindo que era: óculos, cabelo chupado, boca sem cor, cara de nada... desses tipos que você gosta.
- Não, esse era lindo mesmo.
- Hahaha, sei.
- Desses que todo mundo acha lindo.
- Hum.
- E me chamou pra dançar.
- Jura? E o que você fez?
- Disse que não sabia dançar.
- Não creio!
- É... Mesmo assim ele quis me ensinar.
- E aí você foi.
- Fui. Pisei no pé dele um monte de vezes.
- Que gafe.
- Nada, ele nem ligou. Ainda disse que eu fazia uma cara bonitinha quando pedia desculpa.
- Hahaha, e depois?
- Trocamos telefones e combinamos de sair.
- É?!
- É.
- Ah, finalmente você deixou de ser molenga!
- Não sou molenga.
- Ah, é sim...
- Sou seletiva, é diferente.
- ... Vive atrás desses tontos, de boca sem cor. Finalmente vai catar um cara lindo de verdade agora.
- Ele é lindo mesmo... Mas eu não vou "catá-lo".
- Como não, já catou ontem.
- A gente apenas dançou, não quer dizer que...
- Mas quem chama pra dançar não quer só dança, quer algo mais!
- Acontece que ele é gay. A gente combinou de sair pra ver roupa, e tal.
- Ai Ana...
* num primeiro encontro *
- E esse anel?
- É meu.
- Bonito.
- Sim. E me salva de apuros quando vem um cara chato.
- Ah é?
- Sim, olha - e troca o anel de dedo.
- Parece aliança mesmo.
- É.
- Usa ele assim hoje. Daí vão pensar que a gente namora.
- Mas e se perguntarem da sua aliança?
- Ah... Diz que a gente brigou e voltou hoje.
- ...
- Hehe.
* hippie, gritando ao ver minha tatuagem*
- Eu sei quem tocou sua harpa!!!
- Hein?
- Eu sei quem tocou sua harpa!!!
- Quem?
- Foi Davi. Foi Davi que eu vi.
- Er...
- Foi Davi que tocou sua harpa.
- Mas é uma lira.
- Ah, depende do ponto de vista.
- Não depende não. Lira é menor, tem menos cordas.
- Ah...
... E saiu, sem graça.
* no metrô *
- Qual o nome do seu papagaio?
- Preto.
- Mas ele é verde, rs.
- Mas eu o chamo de Pretinho, Preto, ah...
- E o nome dele de verdade?
- Você não vai querer saber.
- Fala aí.
- Hehe, é ridículo demais.
- Fala.
- É uma longa história.
- Ahm.
- Quando meu pai trabalhava no Pará, um dia chegou em casa com um casal de papagaios. Eu tinha uns 8 anos, na época, logo, não tinha condições de dar nomes decentes pra animais.
- Hum...
- Aí, como era páscoa, meu pai teve a brilhante idéia: pro macho, deu o nome de Feliz; e pra fêmea, deu o nome de Páscoa.
- Hahaha, está zoando.
- Não estou. Aí, pra não constranger meu papagaio, a gente o chama de Preto mesmo, hehe.
- Hahaha. Mas é tudo junto?
- O que?
- O (barulho do metrô) nome?
- O meu é.
- Mas Feliz Páscoa junto?
- Hein?
- O nome dele é junto?
- Não, Dudu, era um casal e...
- Mas o seu nome é junto.
- Sim. O que tem a ver?
- Se seu nome fosse "Feliz Páscoa", também seria tudo junto?
- Hunf.
- Hahahahahahaha...
* Paranapiacaba *
- Ele mora perto da Gaviões.
- Nossa, perto da Gaviões?
- Perto da Gaviões, na rua do lado.
- Da Gaviões da Fiel?
- Não não. Da Academia Gaviões.
- Ah...
* Miguel *
- Ana.
- Oi.
- Você está destruindo a minha vida.
- Pelo contrário, estou ajudando, olha só como você ficou "pop" depois que começamos a fazer rolês.
- Não é q eu comecei a ficar mais pop, é igual poeira: tá sempre lá, mas se vc mexe, espalha tudo e faz a maior bagunça.
- Que comparação mais ingrata.
- Você é igual a um espanador entende? Não limpa nada, só espalha.
- Desgraçado.
- Hahahaha.
- Ingrato.
- Espanador foi uma comparação carinhosa.
- ...
[felas...]
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Ah, droga. A realidade é mais esquisita que a ficção, por isso eu nunca ia conseguir pensar nesse diálogos...
ResponderExcluirTá lindo.
Quem, quem?
ResponderExcluir(ai, que medo)
hehehe faz tempo que não temos uma conversa como essas, né ?
ResponderExcluirSaudade de vc, flor !
=***