Quem se importa com os pontos de luz e tinta pra fora da marca de corte deve achar que a variação de cores na fábrica de nuvens tem alta relevância. Bobagem. Ela apenas funciona, e quando ninguém olha, ela pára. Mas mesmo com um muro tampando a visão, penso nela e se existe mais alguém que se preocupe, talvez em dias chuvosos ou noites vermelhas.
Fora um dia cheio no trabalho, mas a função de aprendiz dispensa certas preocupações. Saiu pensando nele e em outras coisas além da vida em volta da vila por onde passava todo dia. Pensou também em tatuar uma tira de controle, mas onde? Não tinha casa pra vender ali, talvez na rua paralela, ou na rua do sacolão... Outro dia passaria por lá.
Andou devagar porque era uma tarde laranja e gostava de pôr do Sol, Michel também gostava. Dizia que as vias do ônibus e os fios de luz ganhavam um aspecto limpo, igual cabelo quando acaba de ser lavado. Dava pra perder um tempo admirando o laranja mudar pro violeta e ir escurecendo o tempo porque agora era noite, traz um sentimento bom. Dava vontade de deitar na rua com a tarde.
Chegou em casa e ainda estava claro, largou as coisas na cama e pegou algo pra comer, mas voltou logo pra calçada porque o Michel e o pessoal da porta da escola...
Fora um dia cheio no trabalho, mas a função de aprendiz dispensa certas preocupações. Saiu pensando nele e em outras coisas além da vida em volta da vila por onde passava todo dia. Pensou também em tatuar uma tira de controle, mas onde? Não tinha casa pra vender ali, talvez na rua paralela, ou na rua do sacolão... Outro dia passaria por lá.
Andou devagar porque era uma tarde laranja e gostava de pôr do Sol, Michel também gostava. Dizia que as vias do ônibus e os fios de luz ganhavam um aspecto limpo, igual cabelo quando acaba de ser lavado. Dava pra perder um tempo admirando o laranja mudar pro violeta e ir escurecendo o tempo porque agora era noite, traz um sentimento bom. Dava vontade de deitar na rua com a tarde.
Chegou em casa e ainda estava claro, largou as coisas na cama e pegou algo pra comer, mas voltou logo pra calçada porque o Michel e o pessoal da porta da escola...
“Alô?”
“Oi Ana”
“Oi, Luiz. Tudo bem?”
“Não”
“O que houve?”
“É o Michel...”
“Aconteceu alguma coisa com ele?”
“Sim, eu tenho que te contar.”
“Fala!”
“Ele voltou pra ex”
“ “
“Ele está chateado, está com medo de você, da sua reação. Ele gosta demais de você e não quer te ver triste por causa dele, mas eu acho errado o que ele está fazendo com você. Aquela história de perseguição, da mudança, da depressão e de toda a vida complicada dele é mentira, era a ex dele o tempo todo. Ana! Desculpa, você ainda está aí...? Desculpa por ser eu, também não quero chorar pelo Michel mas a verdade é que ele é um filho da puta e você...”
No heliporto as cores dos telhados e a intensidade dos ventos pareciam fáceis de se controlar. Mas era proibido ficar lá. Deitou. O laranja das nuvens se desfazia de um jeito torpe e cru, como salmões se desfazendo numa tigela cheia de shoyu, mas sem o gosto salgado. Concluiu que a noite demora a escurecer quando não há música.

Ai, que bonitinho!
ResponderExcluir" Dava vontade de deitar na rua com a tarde."
Que tu anda lendo?
Aninhaaaa !!!
ResponderExcluirNão sei o que acontece, mas tô preocupada !!!
Email-me !!!
Amo vc !
Sunset odeia explicar sobre as coisas que escreve...
ResponderExcluir=(
Tem momentos q desejamos ser nuvens, outros cores, outros silêncio, outros...Outros?!
ResponderExcluir[b]Belo texto, belas sensações!
=]
� foda!!!
ResponderExcluiradorei!!!
"a noite demora a escurecer quando não há música"
ResponderExcluirNão há existe melhor conclusão.
Adorei.