18.8.08

Conversa fiada


Faltou energia no trabalho.

Aproveitei o tempo pra visitar o jardim, escrever um pouco, depois fui colher amoras. O pé estava até que carregado, mas eram poucas as maduras.
Fiquei então conversando com a árvore, comentei que a flor de amora era meio sem graça, se reparar bem.
Ela riu e falou que eu pareço o pé de pitanga que fica atrás dela: grudado no chão e sem dar fruto nenhum; se acha porque é vermelha. Mas aceitou a minha crítica quanto às flores. Respondi que a culpa era da terra, mas ela retrucou. A terra era a mesma que a dela. Além disso, eu tenho pés, dedos, posso ir onde quiser, quando quiser, posso querer... Mas prefiro me comportar como o pé de pitanga.
Saí aborrecida pelo jardim, com umas amoras na mão pra me consolar. Olhei pro pé de ameixas do outro lado e os galhinhos, cheios de bolinhas verdes, balançaram-se em risada.
O pé de pitanga não quis comentar nada, ficou me fitando de canto de olho.



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