O que faz pessoas serem próximas por tanto tempo era plausível de pensar quem olhasse o casal de velhos contornar a quadra outra e outra vez. Sem barulho entre eles, cada um em seu Norte, mas nenhum passo de um sai na frente do pé do outro. Até que ponto do conhecimento pode-se chegar, e até onde vai a sabedoria de cada um em aceitar o lado mais escuro de cada outro?
Certas coisas secam o olho, fecham a garganta, vomitar, dão vontade de vomitar e mostrar mesmo esse lado fedido e gorduroso que impregna as entranhas e corrói, compartilhar tudo mesmo, afinal de contas... mas não. Nessas horas de sentimentos o que se aplica é a teoria do anti-ácido, efervescer sem transbordar, a auto-multilação a ferir alguém com palavras de sangue pisado. Sapos engolidos que fazem da barriga um brejo, comem todas as borboletas. Mas, um sorriso limpo e tudo se conserta.
Iscas.
Iscas que inebriam, hipnotizam, machucam.
Mas o peixe esperto não desafia o anzol, não se machuca, vai engasgar com água na boca e aquela vontade a lhe corroer bem longe. Se submerge tanto que já não sente mais se o que é só imaginação existe de fato ou sua luta contra o autismo já teria terminado e só agora se dava conta da derrota. Só aceita, até que a fome lhe confunda os pensamentos e obrigue a passar de novo pela superfície.
Mendigar por uma certa paz, quem precisa?
Depois descobrir verdades duras em gestos doces e sentir esse gosto na boca, não é mais para hoje. Houve dias em que era possível se esbaldar em olhares sinceros e sorrisos abertos sem duvidar da alvura dos dentes e ter um sono tranquilo.
Hoje não.
A carapaça do inseto que zumbe os pensamentos e controla a cabeça de cada qual endurece, e aprende-se de um jeito triste a não crer nem no que é já é palpável, a dúvida do peso das coisas concretas de volta.
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Certas coisas secam o olho, fecham a garganta, vomitar, dão vontade de vomitar e mostrar mesmo esse lado fedido e gorduroso que impregna as entranhas e corrói, compartilhar tudo mesmo, afinal de contas... mas não. Nessas horas de sentimentos o que se aplica é a teoria do anti-ácido, efervescer sem transbordar, a auto-multilação a ferir alguém com palavras de sangue pisado. Sapos engolidos que fazem da barriga um brejo, comem todas as borboletas. Mas, um sorriso limpo e tudo se conserta.
Iscas.
Iscas que inebriam, hipnotizam, machucam.
Mas o peixe esperto não desafia o anzol, não se machuca, vai engasgar com água na boca e aquela vontade a lhe corroer bem longe. Se submerge tanto que já não sente mais se o que é só imaginação existe de fato ou sua luta contra o autismo já teria terminado e só agora se dava conta da derrota. Só aceita, até que a fome lhe confunda os pensamentos e obrigue a passar de novo pela superfície.
Mendigar por uma certa paz, quem precisa?
Depois descobrir verdades duras em gestos doces e sentir esse gosto na boca, não é mais para hoje. Houve dias em que era possível se esbaldar em olhares sinceros e sorrisos abertos sem duvidar da alvura dos dentes e ter um sono tranquilo.
Hoje não.
A carapaça do inseto que zumbe os pensamentos e controla a cabeça de cada qual endurece, e aprende-se de um jeito triste a não crer nem no que é já é palpável, a dúvida do peso das coisas concretas de volta.
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