Um dia ele, assim que começaram as aulas de química, perguntou ao professor:
- Mas dá pra gente ver isso?
- O quê?
- Os átomos
- Não, eles são muito pequenos e...
- Mas nem no microscópio?
- Ah.
Mas ele não se deu por saitsfeito. E em toda aula insistia na mesma questão, queria ver os átomos e comprovar se eles tinham mesmo aquelas camadas, os elétrons se compartilhando, as ligações, os anéis aromáticos, e toda aquela festa que o professor desenhava às quintas-feiras. E em mais um dia:
- Professor, dá pra gente ver os átomos?
- Não, Alexandre.
- Nem com microscópio?
- Mesmo com o microscópio eletrônico, você não chega a ver, ele mostra apenas uma representação.
- E tem isso aqui na escola?
- O microscópio?
- É.
- Não, esses aparelhos são dificílimos pra...
- Ah, mas eu vou atrás de um.
Ele realmente queria ver os átomos. A cada aula que passava, ficava mais encantado com aqueles desenhos de planetinhas, a eletrosfera girando feito Saturno, o balãozinho do benzeno, as moléculas de carbono brincando de ser diamante... A curiosidade foi tanta que um dia ele se irritou, e foi aquela coisa de sempre:
- Mas professor... A gente nunca vai ver os átomos mesmo?
- Não, Alexandre.
- Mas então...
- Olha, pensa comigo: imagina a menor coisa que você já viu na vida.
- Uma célula!
- Isso! O átomo é milhões de vezes menor do que uma célula.
- Muito menor?
- Imensamente menor. A célula é feita de átomos.
- Mas então... Se ninguém nunca viu, como sabem que ele é assim?
- Ninguém sabe, essa é uma teoria que Rutherford e Bohr inventaram e foi aceita. Como ninguém desenvolveu uma teoria melhor, esatudamos essa até hoje.
- Mas...
Até que um colega, cansado da mesma conversa, falou pra todo mundo:
- Aah não Deus, ele quer ver os átomos!!!
Foi o bastante pra classe toda cair na risada sem fim. O peofessor também riu, aliviado, mas disfarçou bem.
Ele, o Alexandre, se sentiu tão pequeno naquela hora que parecia de verdade que começava a diminuir, sentiu suas roupas mais largas. As risadas estrondavam dentro da sua cabecinha tão pequena, e a carteira crescia numa velocidade impressionante. Foi diminuindo, diminuindo, até sumir da nossa vista, até as coisas perderem as cores e virarem pontinhos, e continuou diminuindo mais e mais, até os pontinhos virarem bolas imensas e se desfazerem em chuvisco, igual televisão.
Quando sentiu que não podia mais diminuir, abriu os olhos e viu que estava rodeado de uma areia que, mesmo sem vento, não parava de se mexer. Pegou um pouco dessa areia na mão e olhou bem de pertinho, ela não parava quieta mesmo, mas ele pôde perceber que a toda hora os grãozinhos mudavam de tamanho e trocavam poeirinhas entre si.
"Aaaahhh"... Ele não podia acreditar no que via. Os átomos?! Queria crescer de novo pra contar pro professor como eles eram de verdade pra ninguém mais rir dele, e ficou olhando aquele movimento por um tempão, pra explicar direitinho o que ele havia isto. Pensou que o professor poderia ter diminuído também, pra tirar algumas dúvidas.
Olhou por tanto tempo que ficou com sono e, após uma vacilada, se viu grande de novo, na sala vazia, acordado pelo professor:
- Alexandre...
- Que? Ah, professor, deix...
- Já deu a hora de ir embora.
- Mas eu tenho que te c...
- Se você dormir nas minhas aulas, nunca vai aprender essa coisa toda de átomos.
- Mas professor, eu acho que vi os átomos!
- Hahaha... Boa noite, Alexandre. Até a semana que vem.
E ele saiu da sala com uma certa vergonha, os colegas já no final do corredor, alguns ainda rindo do ocorrido. Olhou de novo pra lousa pela janela, mas ela já havia sido apagada. Foi embora e nem se lembrou de tirar os átomos que guardou no bolso.
* essa foi meio verdade, o Alexandre, nessa época, tinha 24 anos, e estava na minha classe quando fiz técnico em Plásticos.
- Mas dá pra gente ver isso?
- O quê?
- Os átomos
- Não, eles são muito pequenos e...
- Mas nem no microscópio?
- Ah.
Mas ele não se deu por saitsfeito. E em toda aula insistia na mesma questão, queria ver os átomos e comprovar se eles tinham mesmo aquelas camadas, os elétrons se compartilhando, as ligações, os anéis aromáticos, e toda aquela festa que o professor desenhava às quintas-feiras. E em mais um dia:
- Professor, dá pra gente ver os átomos?
- Não, Alexandre.
- Nem com microscópio?
- Mesmo com o microscópio eletrônico, você não chega a ver, ele mostra apenas uma representação.
- E tem isso aqui na escola?
- O microscópio?
- É.
- Não, esses aparelhos são dificílimos pra...
- Ah, mas eu vou atrás de um.
Ele realmente queria ver os átomos. A cada aula que passava, ficava mais encantado com aqueles desenhos de planetinhas, a eletrosfera girando feito Saturno, o balãozinho do benzeno, as moléculas de carbono brincando de ser diamante... A curiosidade foi tanta que um dia ele se irritou, e foi aquela coisa de sempre:
- Mas professor... A gente nunca vai ver os átomos mesmo?
- Não, Alexandre.
- Mas então...
- Olha, pensa comigo: imagina a menor coisa que você já viu na vida.
- Uma célula!
- Isso! O átomo é milhões de vezes menor do que uma célula.
- Muito menor?
- Imensamente menor. A célula é feita de átomos.
- Mas então... Se ninguém nunca viu, como sabem que ele é assim?
- Ninguém sabe, essa é uma teoria que Rutherford e Bohr inventaram e foi aceita. Como ninguém desenvolveu uma teoria melhor, esatudamos essa até hoje.
- Mas...
Até que um colega, cansado da mesma conversa, falou pra todo mundo:
- Aah não Deus, ele quer ver os átomos!!!
Foi o bastante pra classe toda cair na risada sem fim. O peofessor também riu, aliviado, mas disfarçou bem.
Ele, o Alexandre, se sentiu tão pequeno naquela hora que parecia de verdade que começava a diminuir, sentiu suas roupas mais largas. As risadas estrondavam dentro da sua cabecinha tão pequena, e a carteira crescia numa velocidade impressionante. Foi diminuindo, diminuindo, até sumir da nossa vista, até as coisas perderem as cores e virarem pontinhos, e continuou diminuindo mais e mais, até os pontinhos virarem bolas imensas e se desfazerem em chuvisco, igual televisão.
Quando sentiu que não podia mais diminuir, abriu os olhos e viu que estava rodeado de uma areia que, mesmo sem vento, não parava de se mexer. Pegou um pouco dessa areia na mão e olhou bem de pertinho, ela não parava quieta mesmo, mas ele pôde perceber que a toda hora os grãozinhos mudavam de tamanho e trocavam poeirinhas entre si.
"Aaaahhh"... Ele não podia acreditar no que via. Os átomos?! Queria crescer de novo pra contar pro professor como eles eram de verdade pra ninguém mais rir dele, e ficou olhando aquele movimento por um tempão, pra explicar direitinho o que ele havia isto. Pensou que o professor poderia ter diminuído também, pra tirar algumas dúvidas.
Olhou por tanto tempo que ficou com sono e, após uma vacilada, se viu grande de novo, na sala vazia, acordado pelo professor:
- Alexandre...
- Que? Ah, professor, deix...
- Já deu a hora de ir embora.
- Mas eu tenho que te c...
- Se você dormir nas minhas aulas, nunca vai aprender essa coisa toda de átomos.
- Mas professor, eu acho que vi os átomos!
- Hahaha... Boa noite, Alexandre. Até a semana que vem.
E ele saiu da sala com uma certa vergonha, os colegas já no final do corredor, alguns ainda rindo do ocorrido. Olhou de novo pra lousa pela janela, mas ela já havia sido apagada. Foi embora e nem se lembrou de tirar os átomos que guardou no bolso.
* essa foi meio verdade, o Alexandre, nessa época, tinha 24 anos, e estava na minha classe quando fiz técnico em Plásticos.

Nossa!
ResponderExcluirGostei da história. Imagio que ra quem estava lá na hora, deve ter sido realmente um saco isso tudo e o kra um mala. Mania noso de julgar com soberana a atitutde dos outros. Mas lendo assim, o que será que realmente ele queria?
De repente valia a pena, não é?
Bjos!!!