19.8.08

Juliana

"nessa idade tudo é legal...

Quando a gente tinha uns doze, treze anos na família, andávamos em bando de primos... As idades variavam, mas o mais novo devia ter uns sete e o mais velho uns dezesseis... A gente vivia em pé de guerra entre a gente mesmo, mais velhos contra mais novos e tal, mas quando chegava um forasteiro, todas as facções se uniam pra arregaçar quem era de fora.
Uma vez, a gente tava lá no sítio, com os ânimos controlados, até que chegaram dois primos que não eram da panela, rs. Eram dois demônios em forma de meninos...
Depois de tê-los convidado pra fazer guerra de limão, onde eles eram os alvos, a gente decidiu pescar: colocamos o mais velho e mais terrivél de pé... bem em cima de um formigueiro com uma vara em isca, rs.

Tadinho...rs"


Flor de pessoa.


18.8.08

Conversa fiada


Faltou energia no trabalho.

Aproveitei o tempo pra visitar o jardim, escrever um pouco, depois fui colher amoras. O pé estava até que carregado, mas eram poucas as maduras.
Fiquei então conversando com a árvore, comentei que a flor de amora era meio sem graça, se reparar bem.
Ela riu e falou que eu pareço o pé de pitanga que fica atrás dela: grudado no chão e sem dar fruto nenhum; se acha porque é vermelha. Mas aceitou a minha crítica quanto às flores. Respondi que a culpa era da terra, mas ela retrucou. A terra era a mesma que a dela. Além disso, eu tenho pés, dedos, posso ir onde quiser, quando quiser, posso querer... Mas prefiro me comportar como o pé de pitanga.
Saí aborrecida pelo jardim, com umas amoras na mão pra me consolar. Olhei pro pé de ameixas do outro lado e os galhinhos, cheios de bolinhas verdes, balançaram-se em risada.
O pé de pitanga não quis comentar nada, ficou me fitando de canto de olho.



4.8.08

Poema do Chico


"Se mesmo assim

Frente ao instante final
Frente à certeza do fim que tudo afoga
Eu, ainda calado
Ainda um vestígio de dignidade
Puder amar?
Haverá o que prometer?
Haverá contratos a assinar?
Haverá porque assiná-los, afinal?


Meu bem
Ignoro o esplendor da infinidade
Ignoro toda medida que não é segundo
Ignoro tudo que não um agora de amor que nunca mais"



[06.NOV.2006, se não me engano]

Irmaos Brain