26.3.09

Pós


Não sei se alguém ainda vem aqui, então não sei se cabe alguma satisfação, ultimamente nem reclamam mais que eu não atualizo o blog, rs. E eu também nem faço muita questão, enfim.
Como faz tempo que não publico nada, ainda mais a meu respeito, vou falar sobre o curso de pós-graduação que comecei a fazer.

Fazer pós-graduação é uma coisa engraçada: tu vai pra escola, cada aula tem um tema, as pessoas conversam, ouvem, conversam de novo e voltam pra casa. Não tem caderno, nem apostila, nem tópico na lousa. Só sugestões pra leitura, pesquisa. Nem parece escola, nem parece sério. Mas é legal.

A escola fica bem longe de casa, como a maioria das escolas que eu escolho pra estudar. Mas nem é implicância minha com as escolas da minha cidade, tampouco falta do que fazer, ou vontade de andar de metrô (hahaha que pobre, mas pode ser isso), é que onde eu moro não tem os cursos que eu quero fazer, só aqueles pra pessoas normais, que gostam de escritórios, vendas, afe. Odeio.

Como escolhi um curso moderninho da área de humanas, fica difícil fazer amigos. Na minha classe ninguém se enturma, todo mundo troca idéia com o próprio ego. Enquanto isso, eu acho graça no jeito artístico de cada um e vou andando pela escola, procurando algum lugar onde posso olhar o céu sossegada, enquanto ouço as minhas músicas e fumo meus cigarros imaginários até chegar a hora da aula.

As aulas de terça são legais, de História da Arte. A professora parece a minha mãe (no jeito), é bem versátil (já foi até bailarina) e conta os movimentos literários como se fossem fofocas, na feira, "aí, meninos, sabe o que o Napoleão fez? Pois é, deu uma de doido, catou a coroa do Papa e falou 'Agora eu sou Rei'. A galera não gostava do jeito afetadinho dele, mas eu achei o máximo"... ou "Olha a Eva de Rendbrant, gente, que musculosa, será que eles faziam natação? Ou caçavam? Olha esse muque!"
É engraçado, porque tu passa uns 11 anos ouvindo na escola de Napoleão, Luiz XIVLMMDC da vida, Madame não sei lá das quantas, e pelas roupas e pelas caras que pintam nos nossos livros de história, já fica aquele preconceito de que fulano era chato, todo mundo era sério naquelas épocas e a matéria acaba virando um porre... Sobram as mitologias, com as estátuas sem roupa e o bacanal entre os deuses pra dar um pouco de diversão nas aulas. Aí, chega numa aula dessas e a mulher consegue mostrar o que de arte, de sentimento, tinha ao redor de cada um dos personagens até então chatos, nos faz entender a época e o porquê de cada um ter tomado tal atitude. Isso sim é legal.

Outra coisa que aprendi outro dia e que vivia me perguntando quando era pequena e nunca falavam na escola: o que acontecia no Brasil enquanto acontecia uma pá de coisa na Grécia, Roma, Mesopotâmia, etc? Eu ficava doida, me coçava de curiosidade de saber disso enquanto falavam da Constantinopla e do Alexandre, o Grande; até os incas, maias e astecas já faziam cosas legais e ninguém falava do Brasil, impossível que os índios ficavam vagando pelo país afora mastigando matinho enquanto a galera inovava pelo mundo afora. Até que outro dia a professora contou tudo o que aconteceu por aqui mas a minha ansiedade não me deixou prestar atenção e eu esqueci.

=(

Agora, as aulas de quinta, de Comunicação, Linguagem e Sentidos, é que são as mais fodas. Não exatamente no sentido de legal, são fodas. A professora tem uns vestidos muito legais, juro que passo a aula tentando entender os cortes, a montagem, o tecido, do que prestando atenção nas "asneiras" que ela tá falando. Ela fala "fláche" em vez de "flash", "andergrão" em vez de "underground", "tráche" em vez de "trash", e de vez em quando solta uns menas e estrupo. Tá bom, não sejamos chatos, o importante é compreender a mensagem passada, embora menas eu não aceite de jeito nenhum!

Mas o foda das aulas de quinta são os vídeos que ela coloca pra gente debater. As poesias experimentais do Arnaldo Antunes, o vídeo da Fernanda Abreu+Fausto Fawcett só de colagens, que de tão ruim nem no youtube tem, um filme francês misturado com teatro, tremendamente mal dublado... Coisas que lavam a mente de um jeito feio. Durante os filmes eu fico calculando a distância entre a Lapa e a minha casa em palmos, réguas (não léguas), qualquer unidade efêmera que me desligue daquele momento. Tô vendo um dia que ela passe um vídeo do Blitz pra gente analisar. Aí eu saio da sala.


Apesar de todas essas peculiaridades, da distância da escola, são apenas duas aulas por semana e, por incrível que pareça, não tem como não gostar. Acabo achando uma pena que sejam apenas 8 aulas de cada uma por módulo, a gente começa a se acostumar e já tem que se despedir.

Que coisa.





3.2.09

"Iasmane" *

(...)
Iasmine B. diz:
e o orleans** falou para vc ir cagar antes de dormir

Sunset diz:
huahauhaa

Sunset diz:
pode deixar

Sunset diz:
vou cagar, tiro uma foto e mando pro email dele

Sunset diz:
falando nisso, conta essa pra ele:

Sunset diz:
teve um dia, uns anos atrás

Sunset diz:
que eu tava louca de vontade de cagar, acho que no metrô e tal...

Iasmine B. diz:
diga

Sunset diz:
qdo cheguei no banheiro, foi tudo muito rápido e indolor né, rs... aí, a gente sempre dá aquela olhadinha antes de dar descarga né

Iasmine B. diz:
claaaaaaaaaaro

Sunset diz:
aí olha que loco, eu tinha feito o "PI"

Sunset diz:
manja, o 3,1416 (o símbolo, não os números)

Sunset diz:
muito loco

Sunset diz:
nunca esqueço desse cocô

Sunset diz:
devia ter tirado uma foto

Iasmine B. diz:
mentira

Sunset diz:
juro!

Iasmine B. diz:
impossivel cagar o pi

Sunset diz:
pois eu caguei

Iasmine B. diz:
voce é nerd até na hora de cagar

Sunset diz:
devia colocar isso no currículo

Iasmine B. diz:
caramba

Iasmine B. diz:
devia mesmo

Iasmine B. diz:
só os super dotados fazer coisas desse tipo

Iasmine B. diz:
rs.

Sunset diz:
kkkk

Iasmine B. diz:
ai ai

Sunset diz:
meu QI foi todo embora no cocô nesse dia

Iasmine B. diz:
deixa eu ir dormir porque quando a gnt é casado vai mais cedo pra cama no domingo...

Sunset diz:
eu entendo

Iasmine B. diz:
Bjs



Bobolina, fez aniversário hoje.
* "Iasmane" é uma piada interna.
** Orleans é o marido dela.
*** Melissa (link aí do lado) é a irmã dela.


Sobre confianças


O que faz pessoas serem próximas por tanto tempo era plausível de pensar quem olhasse o casal de velhos contornar a quadra outra e outra vez. Sem barulho entre eles, cada um em seu Norte, mas nenhum passo de um sai na frente do pé do outro. Até que ponto do conhecimento pode-se chegar, e até onde vai a sabedoria de cada um em aceitar o lado mais escuro de cada outro?

Certas coisas secam o olho, fecham a garganta, vomitar, dão vontade de vomitar e mostrar mesmo esse lado fedido e gorduroso que impregna as entranhas e corrói, compartilhar tudo mesmo, afinal de contas... mas não. Nessas horas de sentimentos o que se aplica é a teoria do anti-ácido, efervescer sem transbordar, a auto-multilação a ferir alguém com palavras de sangue pisado. Sapos engolidos que fazem da barriga um brejo, comem todas as borboletas. Mas, um sorriso limpo e tudo se conserta.

Iscas.
Iscas que inebriam, hipnotizam, machucam.
Mas o peixe esperto não desafia o anzol, não se machuca, vai engasgar com água na boca e aquela vontade a lhe corroer bem longe. Se submerge tanto que já não sente mais se o que é só imaginação existe de fato ou sua luta contra o autismo já teria terminado e só agora se dava conta da derrota. Só aceita, até que a fome lhe confunda os pensamentos e obrigue a passar de novo pela superfície.

Mendigar por uma certa paz, quem precisa?
Depois descobrir verdades duras em gestos doces e sentir esse gosto na boca, não é mais para hoje. Houve dias em que era possível se esbaldar em olhares sinceros e sorrisos abertos sem duvidar da alvura dos dentes e ter um sono tranquilo.
Hoje não.
A carapaça do inseto que zumbe os pensamentos e controla a cabeça de cada qual endurece, e aprende-se de um jeito triste a não crer nem no que é já é palpável, a dúvida do peso das coisas concretas de volta.



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Irmaos Brain