Sabe, eu costumava me divertir nas voltas do trabalho com os filmes que fazia na cabeça com a gente. As trilhas sonoras tão bem elaboradas, situações que por mais sem graça e cotidianas que parecessem, com você eram as mais fantásticas. Pena eu não ter achado um projetor, acabou tudo num bolo de fitas na minha garganta.
Sabe, quando eu era pequena brincava que meu travesseiro era meu namorado e até passeava com ele às vezes, parecia você: caladão, roupas nada legais, não se enturmava com meus amigos, não tinha mão boba nem boas idéias para encontros, mas gostava de apoiar minha cabeça quando eu o levava pro telhado de casa.
Sabe, da última vez que você me deu as costas fiquei contando quanto tempo demoraria pra você virar de novo, mas me perdi nos minutos e resolvi ir atrás, temendo que você se perdesse por caminhos desconhecidos ou da minha vista. Quando foi minha vez de dar as costas, saí contando em passos o quanto você demoraria pra vir atrás de mim, depois saí correndo pra ver se acelerava o coração. Nem ao menos um cansaço.
Sabe, tem tanta coisa sua aqui dentro que não merece mais o espaço que ocupa... é difícil achar alguma coisa pra fazer com elas, porque ninguém pra quem eu mostrei se interessou. Até pensei te devolver, mas não encontro uma embalagem que caiba. Até acho que não seja boa idéia te devolver porque cuidei tão bem delas, duvido que você faria o mesmo.
Não, você não sabe. Talvez nunca quis saber. Ou finge muito bem.
[Interpol = Wrecking Ball]
13.7.07
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