14.9.10

Coisas que só acontecem comigo

Essa foi light.

Depois de entrar no ônibus, rumo ao trabalho, acabei me sentando numa daquelas cadeiras altas, em cima da roda e que sacolejam pra caramba, e ali não era um bom lugar para praticar a minha pestana diária antes do trabalho. Fiquei pensando por alguns segundos em como eu havia sido burra, por que não tinha sentado lá no fundo, etc.

Eis que um cara de blusa laranja entra no coletivo com uma mala, bem no momento em que eu pensava "mudo ou não mudo pro fundão?". O ônibus estava enchendo, eu tinha que ser rápida. O cara da blusa laranja parou ali do lado bem na hora que pensei "é agora" e me levantei em direção à cadeira do fundão, que sacolejava menos e onde eu deveria ter sentado desde o começo. Acabei pisando na mala do cara sem querer, ao que pedi desculpas prontamente, mas olhando pra baixo, por vergonha e porque eu tinha que olhar onde eu estava pisando depois dessa gafe.

Fui para o fundão e me acomodei, bem melhor sentar ali. Enquanto o cara de laranja, que depois se revelou um pedinte, inicia o seu discurso: sua história de vida, trabalhou 10 anos na Varig, mas teve um câncer no cérebro que resultara em um derrame e o deixara inválido; fazia tratamento no HC há 12 anos, mas não podia trabalhar, por isso estava ali pedindo a colaboração dos passageiros e aquela coisa toda.

No meio do discurso, fui citada. "Não sei se vocês repararam, mas bem no momento que eu cheguei uma CIDADÃ até mudou de lugar. Eu não tenho culpa, mas também não tenho vergonha por ter ficado com o rosto assim. Bla bla bla bla..."

Eu já estava quase cochilando, mas essa citação me deixou inquieta. Eu bem que achei legal a entonação e a seriedade que ele usou pra falar "cidadã", mas pô, nem olhei direito pra cara do rapaz e ele vem querer usar a minha imagem sonolenta pra marketing pessoal?

Não chegou a me ocorrer o pensamento de "ah, deixa pra lá, é um coitado mesmo", mas o "vou ajudar o cara só pra ele não pensar errado a meu respeito" ocupou o a minha mente por algum tempo, embora eu achasse um baita desaforo, já que mudei de lugar porque queria dormir. Por que o cara ia querer encrencar comigo (porque essas coisas só acontecem com você, Ana)?

De qualquer forma, eu já me precavi articulando mentalmente todos os tipos de ações e reações possíveis caso ele proferisse algo contra mim quando chegasse perto (exceto se ele cuspisse em mim, não pensei nisso). Não por ser pedinte, mas porque a gente nunca sabe do que o ser humano é capaz de fazer pra aparecer e ganhar vantagem sobre qualquer coisa.

A minha paranóia tomava proporções absurdas e eu já me preparava para uma chalaça em público, mas tinha um mendigo no meio do caminho. No meio do caminho tinha um mendigo. Que começou a criticar o pedinte por ele ter uma tatuagem no braço e não ter vergonha de pedir moedas se tinha dinheiro pra fazer tatuagem. "O que tem a ver uma coisa com a outra?", o pedinte indagou, logo emendando toda aquela explicação de ter trabalhando na Varig durante 10 anos e já ter tido $ pra pagar a tatuagem. E ficaram discutindo na minha frente, ali perto da porta de descer. Eu de olhos fechados, mas ouvindo tudo.

Antes que eu abrisse o zíper da mochila pra pegar uns trocados para o pedinte, o ônibus parou num ponto e os dois desceram junto com mais um monte de gente. E, pelo que deu pra ouvir, continuaram brigando na calçada. E eu segui meu caminho.

Que final mais enfadonho. Mas fiquei aliviada por não aparecer em público por causa de interpretações errôneas, e voltei ao meu cochilo.

O foda é que, escrevendo isso, me bateu uma curiosidade sobre como devia ser o rosto do pedinte...




17.8.10

Tempo Inverso

Estes ponteiros fazem lembrar as minhas agulhas de tricô.

Dos projetos parados que vêm embolando sobre elas durante anos. Dos fios parados que poderiam estar saindo comigo e me esquentando, me adornando, a uma hora dessas. Mas que eu prefiro deixar paradas, me olhando em cima da mesinha do quarto, enquanto fico na internet.

Embaixo da mesinha coloquei todo o material da faculdade e dos cursos técnicos que fiz na vida. Coloquei também alguns cadernos. Tracei um plano de digitalizar todas as minhas matérias para ajudar os novos profissionais da área com minhas anotações e meus desenhos aleatórios e divertidos nas apostilas, e também para ficar livre da papelada que acumulei durante anos de escola. Afinal de contas, havia comprado um guarda-roupa novo.

Quando o meu primeiro guarda-roupa só meu chegou, ainda era criança, e a primeira coisa que guardei nele foram os meus cadernos. Depois as roupas, e 2 anos mais tarde a minha caixinha de tricô. Eu devia ter uns 8 anos e escrevia, desenhava, fazia tricô, quando estava enjoada de brincar.

Naquela época o tempo não passava nunca.


8 minutos para o texto todo.

7 minutos para o título - sim, sou ruim.


Tema proposto pelo Gambiarra Literária. Uma boa atividade pra quem anda enferrujado das escritas.

4.8.10

Coisas que só acontecem...

... Com quem, galera? Não escutei!

Como sempre, preciso compartilhar minhas desventuras, rs. Espero que não durmam no meio do texto.

Introdução breve: comecei a trabalhar na Vila Olímpia, e hoje precisei ir até o Sindicato dos Gráficos, fazer a homologação da empresa anterior.

Fui de trem, mais prático, e já começou tudo errado, porque me perdi: desci no Brás e andei pra burro, a Rangel Pestana inteira, e o Sindicato fica pertinho da estação Pedro II. Cheguei 1h atrasada, a moça muito simpática do RH estava me esperando, coitada. Quando nos atenderam, a homologação não pode ser feita por motivos "burrocráticos", terei que voltar lá naquele lugar tão belo na segunda-feira, de manhã.

Voltando pra empresa (às 15:40h) passei pela Lapa e comprei R$ 1,50 de amendoins (um detalhe importante), e me deu uma vontade enorme e repentina de passar no SENAC onde comecei a fazer a pós-graduação. Tava ali perto, custava nada. Desci do trem e, chegando na escola, vi que reformaram toda a entrada, ficou muito bonitinha. Peguei uma senha de atendimento. Tinha 2 malucos fazendo matrícula com as 2 meninas que estavam atendendo. Pra quem já estudou no SENAC, sabe que a matrícula pode demorar uma eternidade, e como eu tinha que voltar logo pro trabalho, abortei a missão. Joguei a senha no lixo e voltei pra estação de trem.

Antes de passar pela catraca, lembrei que não tinha conferido os meus créditos do bilhete único. Me deu um pânico, e se os créditos não dessem a passagem? Tentei passar na catraca e, claro, não deu. Fui ver quanto tinha e, mano, vc não acredita. Tinha R$ 2,61 de crédito. Eu não consegui embarcar POR CAUSA DE 4 CENTAVOS!!!

Procurei dinheiro pela bolsa pra comprar um bilhete e achei o saquinho de amendoins (rá!), mais uma moedinha de 10 centavos. Pensei "será que pode carregar só 10 centavos no bilhete? Quiá quiá, loser, vou tentar". Mas não tinha guichê pra recarregar o bilhete, só aquelas máquinas que NÃO ACEITAM MOEDAS! Fui atrás de um banco, e depois de andar e andar a lapatoda, achei um caixa 24h no terminal rodoviário e tirei 20 reais. Comprei um bilhete comum mesmo, na bilheteria da CPTM. Já me dirigia à catraca, mas achei um desaforo enorme ter tido todo esse trabalho e ir embora sem passar na escola, que estava ali perto. Custava nada.

Voltei ao SENAC. Chegando lá, ainda não tinham chamado a minha senha, mas também não tinha ninguém na espera. Fui até o lixo e o papelzinho com o número ainda estava lá, peguei de volta e me atenderam. Hahaha, legal, né? Não. A informação que eu precisava era no terceiro andar, nem precisava de senha. Chegando no terceiro andar, fiz minhas súplicas pra voltar pra pós-graduação e preenchi um requerimento, que vai passar por análise, já que a grade desse ano mudou (e a mensalidade também, droga, já era pra eu ter terminado, saí resmungando).

Depois de tudo isso, saí da Lapa saltitante de alegria e peguei o trem fedido até o trabalho. No meio do caminho de volta, deparo com um cara dormindo no trem, igual a um neném... de dinossauro. Tive que tirar uma foto, QUIA QUIA QUIA. Ele mexia a língua enquanto roncava, pena que não deu pra filmar. Mancada, mas foi o momento divertido de tudo isso.

Cheguei às 17:30h no trabalho, toda amarrotada, com frio e sem ter escovado os dentes até então.
Fiquei lá até as 19:30h e cheguei em casa às 21:30h. Nem terminei de comer os amendoins.


¬¬... Eeei, acorda, vc tá dormindo igual ao cara da foto!



Irmaos Brain